Setor de turismo enfrenta onda de ciberataques durante alta temporada de viagens

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Durante a alta temporada de viagens de 2025, o setor de turismo enfrenta um desafio silencioso, mas crescente: o aumento de ciberataques que afetam tanto empresas quanto viajantes. Segundo dados da Check Point Research, o setor sofreu uma média de 1.270 ataques por semana em 2024, colocando o tema da segurança digital no centro das preocupações do mercado.

Em entrevista exclusiva à Travel and Tour World, Tony Sabaj, especialista em cibersegurança da Check Point, alertou sobre as ameaças mais comuns ao setor: phishing, roubo de credenciais e ransomware. Além disso, surgiram novos golpes, como confirmações falsas de reservas e chatbots maliciosos que imitam serviços de suporte de companhias aéreas e hotéis.

Um dos esquemas mais recentes é o chamado “ClickFix”, em que criminosos criam páginas falsas que simulam o portal de proprietários do Booking.com. Após inserir seu nome de usuário, o visitante é direcionado a uma tela falsa do ReCAPTCHA e, ao completá-la, é induzido a baixar malware sob o pretexto de “verificação humana”.

Outra ameaça emergente são os chatbots de inteligência artificial programados para se passarem por atendentes reais de empresas de turismo. Usando dados pessoais extraídos de vazamentos anteriores, esses bots conseguem enganar viajantes e extrair informações sensíveis, como dados bancários e números de passaporte.

O setor também enfrenta riscos graves relacionados à infraestrutura digital, como ataques DDoS, capazes de paralisar sistemas de reserva e check-in online, além de falhas em configurações de nuvem, que expõem grandes volumes de dados de clientes. Casos recentes, como os ocorridos na Hawaiian Airlines e na canadense WestJet, mostram como até grandes operadores podem ser vulneráveis.

Segundo Sabaj, a resposta das empresas deve incluir adoção de arquiteturas Zero Trust, monitoramento constante de ambientes em nuvem, atualização de softwares e treinamento de equipes contra phishing. Já para os viajantes, ele recomenda evitar redes Wi-Fi públicas sem uso de VPN, usar autenticação multifatorial e manter aplicativos atualizados antes da viagem.

A segurança digital deixou de ser apenas um problema técnico e tornou-se parte essencial da experiência do cliente no turismo. Enquanto empresas ajustam suas estratégias, viajantes devem manter atenção redobrada para não caírem em armadilhas virtuais cada vez mais sofisticadas.

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Parque Terra dos Dinos será instalado em João Pessoa com investimento de R$ 100 milhões no Polo Turístico Cabo Branco

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A Paraíba dá mais um passo significativo na consolidação de sua vocação turística com a formalização do Parque Terra dos Dinos, novo empreendimento do Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (14) pelo governador João Azevêdo. A proposta prevê um investimento inicial de até R$ 100 milhões, com expectativa de geração de 600 empregos diretos e indiretos, contribuindo para o fortalecimento da economia local.

Inspirado no Vale dos Dinossauros, localizado em Sousa, no Sertão paraibano, o Parque Terra dos Dinos será um complexo temático voltado à educação ambiental, à valorização da biodiversidade e à difusão da cultura regional. A estrutura contará com cinco grandes áreas temáticas.

A primeira, chamada Herdeiros da Terra, apresentará de forma simbólica a evolução dos répteis até os dinossauros, com foco nos biomas da caatinga e da Mata Atlântica, abordando também a fauna nativa da região.

A segunda área, Mistérios da Mata, será sensorial e voltada ao folclore brasileiro, com ambientações que dialogam com mitos e lendas populares.

A terceira, Parque Humanidades, terá como proposta resgatar a trajetória das civilizações, com referências locais como a Pedra do Ingá, além da valorização das culturas indígenas — especialmente dos povos potiguaras e tabajaras — e comunidades quilombolas.

O espaço também integrará aspectos científicos, como a astronomia, conectando o passado ao futuro por meio de uma área inspirada no Radiotelescópio Bingo, localizado no município de Aguiar.

Já a Vila Verde será um centro de convivência que interligará os parques, com shopping a céu aberto, auditório, teatro e feiras voltadas à economia criativa, promovendo interação entre os visitantes e a produção cultural local.

Todos os espaços serão concebidos com base em critérios rigorosos de sustentabilidade, com conexão direta à infraestrutura do Polo Turístico Cabo Branco. A proposta inclui integração com os empreendimentos hoteleiros, equipamentos públicos, vias planejadas e áreas verdes do complexo.

A previsão é que a primeira etapa do parque seja inaugurada em até 18 meses, com conclusão total do complexo prevista para três anos.

Durante a solenidade, o governador João Azevêdo ressaltou a importância estratégica do empreendimento. Segundo ele, o novo parque fortalecerá ainda mais o destino turístico da Paraíba, que já registra altas taxas de ocupação hoteleira durante todo o ano.

Márcio Clare, fundador do Parque Terra dos Dinos, destacou a receptividade do Governo do Estado ao projeto e a escolha da Paraíba como sede por sua conexão direta com Sousa.

O presidente da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep), Rômulo Polari Filho, também comentou o impacto do novo equipamento. Ele lembrou que o Polo Turístico Cabo Branco já contabiliza R$ 2,6 bilhões em investimentos, com resorts, parque aquático e outros equipamentos em construção ou em fase de licenciamento.

Com 654 hectares, o Polo está situado entre o mar e a mata atlântica nativa, integrando turismo, meio ambiente e desenvolvimento social, como nos projetos da Vila dos Pescadores e da Escola de Gastronomia, Hotelaria e Idiomas.

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O avanço do turismo na Paraíba e os riscos do overtourism: o que podemos aprender com a Europa

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Crescimento do setor turístico exige planejamento para evitar impactos negativos vividos por destinos internacionais / Imagem gerada por IA.

Cidades e países amplamente reconhecidos como grandes polos turísticos — responsáveis por movimentar economias locais e gerar empregos diretos e indiretos — têm, cada vez mais, manifestado insatisfação com a atividade turística. Em alguns destinos, os protestos vão além de críticas e chegam a atos simbólicos, como jogar água em turistas ou exibir placas com dizeres como “Tourists go home” (“Turistas, vão para casa”).

Quando o turismo perde o equilíbrio

Para quem enxerga o turismo apenas como gerador de renda e oportunidades de trabalho, esse tipo de reação pode parecer exagerado ou contraditório. No entanto, é preciso considerar que o turismo, quando conduzido sem planejamento adequado, pode causar sérios danos aos destinos — sejam eles pequenas cidades do interior nordestino ou grandes centros como Barcelona.

Durante décadas, o turismo foi romantizado como uma “indústria sem chaminés”. Mas essa metáfora ignora a complexidade da atividade, que, embora traga benefícios como geração de empregos, aumento da arrecadação de impostos e melhorias na infraestrutura, também pode causar impactos sociais, ambientais e culturais relevantes.

Um dos principais desafios enfrentados atualmente é o chamado overtourism — ou turismo excessivo — que ocorre quando o número de visitantes ultrapassa a capacidade do local. Os efeitos são diversos: destruição de patrimônio, especulação imobiliária, poluição, congestionamentos e gentrificação. Este último é um processo em que bairros tradicionalmente populares passam por valorização imobiliária intensa, elevando aluguéis e expulsando moradores antigos para regiões periféricas, muitas vezes sem infraestrutura adequada.

Cresce o sentimento anti-turismo na Europa

Diante desses efeitos colaterais, cresce na Europa o sentimento anti-turismo. A preocupação chegou a tal ponto que a Organização Mundial do Turismo (OMT) vem promovendo debates sobre estratégias para evitar que o turismo comprometa a qualidade de vida das populações locais. O desafio está em manter os benefícios econômicos do setor — que movimenta bilhões de dólares anualmente — sem ignorar os seus riscos.

O cenário da Paraíba e o alerta necessário

Na contramão dessa realidade, a Paraíba vive hoje o melhor momento de sua história no setor turístico. Antes considerada o “patinho feio” do turismo nordestino, o estado agora registra crescimento expressivo da atividade. Como turismólogo, acompanhei essa evolução de perto e ouvi, em diversas ocasiões, que o atraso no desenvolvimento turístico local permitiu à Paraíba observar os erros cometidos por estados vizinhos, evitando repeti-los.

Diante disso, é essencial que o estado acompanhe atentamente os debates internacionais e reflita sobre o modelo de turismo que deseja construir. Mais do que atrair visitantes, é preciso garantir que o turismo seja planejado com responsabilidade social, ambiental e urbana.

O que fazer?

É essencial que o trade turístico paraibano proponha audiências públicas na Assembleia Legislativa, nas Câmaras Municipais dos municípios que integram o Mapa do Turismo, e nos Conselhos Municipais de Turismo. É nessas instâncias que deve se discutir que tipo de turismo queremos para a Paraíba.

A atividade turística pode — e deve — ser um vetor de desenvolvimento econômico e de melhoria da qualidade de vida. Mas para isso, é necessário planejamento, gestão participativa e responsabilidade com o presente e o futuro dos nossos destinos.

Por Fabiano Vidal – Turismólogo, Jornalista de Turismo, Doutor em Ciência da Informação e ex-presidente da ABRAJET-PB (2020-2022)

Destinos turísticos inteligentes impulsionam o desenvolvimento das cidades inovadoras

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A paisagem do turismo contemporâneo está em constante transformação. Tenho acompanhado isso de perto. Já não basta um destino ser apenas bonito ou acolhedor, hoje, é preciso que ele seja inteligente. Eu enxergo com entusiasmo e atenção essas mudanças e percebo como a digitalização dos territórios turísticos está redefinindo não apenas o planejamento urbano, mas também a maneira como nos conectamos com as cidades e com o morador.

Os chamados Destinos Turísticos Inteligentes (DTIs) são um reflexo direto dessa nova mentalidade. Mais do que adotar tecnologias pontuais, esses destinos criam um ecossistema que integra inovação, sustentabilidade, inclusão e governança para oferecer experiências mais completas ao visitante e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade de vida da população local. É um conceito em movimento, que une dados, urbanismo e bem-estar social numa mesma lógica de desenvolvimento.

Aqui no Brasil, temos bons exemplos disso. Cidades como Curitiba, Florianópolis, Campo Grande, Recife, Salvador, Rio Branco, Palmas e Foz do Iguaçu já assumiram esse modelo. Elas vêm utilizando ferramentas tecnológicas, plataformas digitais e boas práticas sustentáveis não só para enriquecer a experiência do turista, mas também para tornar a gestão pública mais eficiente e participativa. Também é o caso de Gramado, Bonito, Fortaleza, Vila Velha e Joinville, que mostram como o turismo pode ser motor de inovação urbana e não apenas uma atividade econômica.

Fora do Brasil, Zurique se destaca como um exemplo concreto de cidade que incorpora os pilares de um Destino Turístico Inteligente, mesmo sem portar uma certificação formal. A cidade suíça desenvolve o programa Smart Zürich, que reúne iniciativas voltadas à mobilidade inteligente, sustentabilidade, governança digital e bem-estar de moradores e visitantes. Aplicativos como o ZVV-Ticket App, que integra informações de transporte público, plataformas abertas como o Open Data Zürich e recursos digitais interativos espalhados pelos principais atrativos turísticos mostram como a inovação pode facilitar a vida de quem mora e de quem visita. Some-se a isso a força de hubs como o Trust Square, referência em infraestrutura de tecnologia descentralizada (Dezentrale Technologie-Infrastruktur), e temos uma cidade que inspira pela forma como conecta tecnologia, turismo e qualidade de vida.

Mas afinal, o que torna um destino verdadeiramente inteligente? A tecnologia é peça-chave, claro, mas não é tudo. Estamos falando de cidades que se preocupam com acessibilidade universal, conectividade em tempo real, sustentabilidade ambiental e, principalmente, com a participação ativa da comunidade. São territórios que acolhem tanto o turista quanto o morador, promovendo experiências mais humanas, inclusivas e conscientes. É o turismo somado à inteligência urbana, e isso faz toda a diferença.

Gosto de ver como os dados se transformam em ação nesses lugares. Aplicativos que personalizam rotas conforme o perfil do visitante, sistemas que monitoram o fluxo de pessoas para evitar sobrecarga, plataformas que medem o impacto ambiental da atividade turística. Tudo isso já existe e está sendo colocado em prática.

O resultado é que esses destinos conseguem gerenciar melhor os impactos do turismo, criar experiências mais autênticas e ainda fidelizar os visitantes. E o mais interessante é perceber que, com base nos dados coletados, as decisões se tornam mais precisas e moldadas às necessidades reais do território.

Claro que essa transformação vem acompanhada de desafios. Tornar uma cidade um DTI exige planejamento de longo prazo, integração entre setores, investimentos consistentes e, acima de tudo, vontade política e engajamento da sociedade. É fundamental envolver os moradores, capacitar os profissionais da área e aproximar o poder público do setor privado para que esse novo modelo realmente funcione.

Pessoalmente, vejo esse movimento como algo inevitável e necessário. Estamos caminhando rumo a cidades mais conectadas com as pessoas, com o meio ambiente e com o tempo que vivemos. E, se o turismo é, por essência, uma experiência de descoberta e encontro, os destinos inteligentes são a evolução natural desse caminho.

Ana Macêdo

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