Museu da História da Paraíba é inaugurado no Centro Histórico de João Pessoa

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O Museu da História da Paraíba foi inaugurado na sexta-feira (3) no Palácio da Redenção, no Centro Histórico de João Pessoa. O equipamento passou pela maior restauração de seus mais de 400 anos de história, com investimento de R$ 11,5 milhões. A obra contemplou modernização completa das instalações elétricas, hidráulicas, sanitárias, climatização, cabeamento estruturado, combate a incêndio, acessibilidade e segurança.

O governador João Azevêdo destacou o caráter inclusivo da iniciativa. “A entrega do Palácio da Redenção à população paraibana é um ato de inclusão no sentido mais puro. Eu me incomodava muito quando perguntava se as pessoas conheciam o Palácio da Redenção e elas diziam que não. Por isso, ter esse ambiente fechado para o acesso de poucos me incomodava muito”, declarou. O vice-governador Lucas Ribeiro classificou a inauguração como “um dia histórico para o estado”.

O prefeito Cícero Lucena, que participou do evento acompanhado da bancada governista na Câmara Municipal, enfatizou a importância da parceria entre estado e município. “É um projeto que conta com a parceria de diversas entidades com a Prefeitura Municipal. Sinto grande satisfação em ver João Pessoa abraçar esse projeto em sua totalidade, com cada parte desempenhando seu papel. Essa colaboração é essencial para a revitalização definitiva do Centro”, afirmou. O prefeito lembrou que a gestão municipal atua no fortalecimento da área central por meio do programa Viva o Centro, que concede incentivos fiscais e promove a recuperação de prédios históricos.

O museu funcionará de terça a domingo, com visitação gratuita nos horários de 9h, 11h, 13h e 15h. Grupos a partir de dez pessoas devem agendar pelo email museudehistoriapb@gmail.com. O espaço abrigará obras de artistas como Pedro Américo, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Cândido Portinari, além de um espaço dedicado a Ariano Suassuna, que nasceu no palácio em 1927. A iniciativa integra um conjunto de ações de revitalização do Centro Histórico que inclui a reforma do Teatro Santa Roza e outras obras na região.

Sete dicas para o Guia de Turismo conduzir experiências inesquecíveis

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Você, guia de turismo, é muito mais do que alguém que conduz visitantes de um ponto a outro. Na prática, você é o contador de históriaso anfitrião do território e o responsável por transformar passeios em experiências que ficam na memória.

Os turistas de hoje não querem apenas “ver lugares”. Eles querem sentir, participar, aprender e se emocionar. Procuram vivências que despertem sentidos, contem histórias e criem vínculos com o destino. E é justamente aí que entra o seu talento: com criatividade e organização, você pode criar roteiros que toquem corações e façam os visitantes indicarem o destino, e o seu trabalho, com orgulho.

1. Comece o guiamento com um propósito claro

Antes de pensar em trajetos e horários, pergunte-se:

  • Que emoção quero despertar nas pessoas?
  • O que desejo que elas levem na memória?
  • Qual é a “mensagem” deste roteiro?

Por exemplo: um passeio no centro histórico pode ter como objetivo fazer o visitante se sentir parte da história local. Já um roteiro gastronômico pode contar a cultura por meio dos sabores.

Quando o propósito está bem definido, fica mais fácil escolher os lugares certos e manter o roteiro coerente do início ao fim.

2. Histórias envolvem mais do que datas

Turistas não se encantam com listas de fatos, mas com boas histórias bem contadas.
Em cada parada, use esta estrutura simples:

  1. Gancho – comece com algo curioso ou provocador.
  2. História – conte de forma leve, como numa boa conversa.
  3. Conexão – mostre por que aquilo importa hoje.

Exemplo: em vez de dizer “essa igreja foi construída em 1750”, diga: “Imaginem que, há quase 300 anos, moradores carregaram pedra por pedra, subindo essa ladeira de barro, para erguer este templo. Aqui era o coração da comunidade.” Histórias assim criam imagens mentais e despertam emoções que são elementos fundamentais para uma experiência inesquecível.

3. Varie os momentos para prender a atenção

Um bom roteiro é como uma música bem composta, tem ritmo, pausas e mudanças de tom. Evite manter o mesmo tipo de atividade o tempo todo. Misture:

  • Contemplação: para observar e sentir o lugar;
  • Aprendizado: onde você compartilha informações de forma leve;
  • Participação: quando o visitante toca, prova, decide, pergunta;
  • Diversão: música, fotos ou elementos culturais interativos.

Essa variação mantém o grupo atento e evita a monotonia.

4. Pausas também fazem parte da experiência

Roteiro bom não é roteiro corrido. Dê tempo para que o visitante respire, olhe ao redor e absorva o que está vivendo. Pense em paradas estratégicas: um banco embaixo de uma árvore, um café com vista, um momento para ouvir a paisagem. São nesses instantes tranquilos que as memórias se formam com mais força.

5. Bastidores organizados, experiência perfeita

Para que tudo funcione sem estresse, é preciso organização “invisível”:

  • Confirmar horários e contatos;
  • Ter rotas alternativas em caso de imprevistos;
  • Informar sobre roupas, água, alimentação e acessibilidade;
  • Saber onde ficam banheiros e pontos de apoio;
  • Respeitar “os tempos” sem correria.

Quando a logística está redonda, o visitante sente que tudo “fluiu naturalmente”, e isso reforça sua imagem profissional como o guia ideal.

6. Inclua os visitantes na história

As experiências mais marcantes são aquelas em que o turista participa. Você pode envolver o grupo com ações simples:

  • Degustações de produtos locais;
  • Pequenos rituais simbólicos (como um brinde ou um carimbo do “passaporte do viajante”);
  • Escolhas entre dois caminhos;
  • Conversas com moradores e artesãos.

Quando o turista participa, ele deixa de ser espectador e passa a fazer parte da história.

7. Ouça para melhorar sempre

Ao final do passeio, pergunte com simplicidade: “O que mais gostaram?” ou “Tem algo que poderíamos melhorar?”. Anotar essas percepções ajuda a aperfeiçoar cada roteiro com base na experiência real dos visitantes. Pequenas mudanças fazem grandes diferenças ao longo do tempo.

Enfim, guiar turistas de forma inesquecível não é um dom reservado a grandes guias veteranos ou a especialistas com formação acadêmica. Você, guia de turismo, conhece o seu território como ninguém. Com clareza de propósito, boas histórias, ritmo adequado, logística bem cuidada e envolvimento dos visitantes, cada guiamento seu pode se transformar em uma experiência autentica, daquelas que ficam guardadas na memória e no coração do turista.

Ana Macêdo
CEO We Guide

*Matéria publicada originalmente no Blog do Guia da We Guide

Guarabira sedia lançamento da Rota Cultural Raízes do Brejo 2025

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Evento marca início de uma das maiores celebrações culturais da Paraíba e anuncia programação oficial em dez municípios do Brejo

Guarabira, a “Rainha do Brejo”, foi palco nesta segunda-feira (22), no Eco Club Vale Verde, do lançamento oficial da Rota Cultural Raízes do Brejo 2025. O evento reuniu autoridades, gestores municipais, jornalistas e representantes da cultura para anunciar as datas e a programação das dez cidades participantes, consolidando a rota como uma das mais importantes iniciativas de valorização cultural e fortalecimento do turismo sustentável da Paraíba.

Criada para promover as tradições locais e movimentar a economia criativa, a Rota Cultural Raízes do Brejo é marcada pela diversidade de expressões artísticas, como música, teatro, dança, artesanato, gastronomia e religiosidade. A abertura contou com apresentações culturais que emocionaram o público, com a cantora Renata Arruda, o artista Lukete, o Grupo de Choro Chorata, de Campina Grande, e o tradicional Boi de Reis Mestre Ivanildo, de Serra da Raiz.

Durante o lançamento, o presidente do Fórum de Turismo do Brejo, Josenildo Fernandes, destacou a importância do calendário. “No evento apresentamos as datas e a programação de cada uma das dez cidades que fazem parte da rota. O Raízes do Brejo já se consolidou como um movimento cultural que une municípios, movimenta a economia criativa, fortalece o turismo regional e mantém vivas as tradições que passam de geração em geração.”

A prefeita de Guarabira Léa Toscano, ressaltou o orgulho em sediar a abertura. “Estamos recebendo a Rota Cultural Raízes do Brejo com muita alegria e de braços abertos. Guarabira é polo turístico, com o Memorial Frei Damião, teatro, museu, galeria de arte e centro de documentação. O Raízes do Brejo fortalece a integração entre os municípios e mostra que nosso Brejo tem muito a oferecer e condições de realizar grandes eventos”, afirmou.

Já a secretária de Turismo e Desenvolvimento da Paraíba, Rosália Lucas, destacou o impacto regional e a projeção internacional. “A Rota Cultural fortalece a interiorização do turismo com apoio do Governo do Estado, unindo cultura, gastronomia, produção local e turismo de aventura. É uma ação que dá visibilidade às cidades do Brejo e movimenta a economia criativa. Hoje a Paraíba vive o seu melhor momento no turismo, com investimentos constantes que geram emprego, renda e oportunidades.”

O presidente da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), Ferdinando Lucena, reforçou a relevância da rota para a divulgação do Estado e o crescimento do fluxo turístico. “A Rota Cultural Raízes do Brejo é mais do que um calendário de eventos, é uma vitrine da identidade paraibana. Cada cidade apresenta sua cultura, sua gastronomia e seu patrimônio, e isso contribui para fortalecer a imagem da Paraíba como destino turístico diferenciado. O impacto vai além do turismo regional: amplia o fluxo de visitantes, movimenta a cadeia produtiva do setor e projeta o Estado em âmbito nacional e internacional. Essa integração entre cultura e turismo é uma das estratégias mais efetivas de promoção que temos hoje.”

Calendário oficial da Rota Cultural Raízes do Brejo 2025

  • Lagoa de Dentro: 16 a 19 de outubro
  • Alagoinha: 24 a 26 de outubro
  • Serra da Raiz: 7 a 9 de novembro
  • Dona Inês: 13 a 16 de novembro
  • Juarez Távora: 21 a 23 de novembro
  • Guarabira: 28 a 30 de novembro
  • Pirpirituba: 5 a 7 de dezembro
  • Belém: 11 a 14 de dezembro
  • Duas Estradas: 19 a 21 de dezembro
  • Pilõezinhos: 26 a 28 de dezembro

Com apoio do Governo do Estado da Paraíba, do Banco do Nordeste e do Sebrae, a edição 2025 promete ser ainda mais grandiosa, reforçando o Brejo como um destino cultural autêntico e de grande potencial turístico.

Ana Macêdo

O impacto do guia na satisfação e fidelização do turista

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O guia de turismo é peça-chave para o sucesso da experiência turística. Mais do que acompanhar visitantes, ele representa o destino, traduz culturas e garante segurança e acolhimento. Por isso, é importante entender que o guia exerce influência direta na satisfação do turista e, consequentemente, na sua fidelização. Um visitante bem conduzido não apenas aproveita melhor a viagem, como também recomenda o destino e planeja voltar.

Em Xangai, na China, o desempenho dos guias foi identificado como fator central na avaliação positiva de pacotes turísticos (Journal of Travel Research, 2019). Já em Taiwan, um estudo revelou que falhas no trabalho do guia causam impactos negativos desproporcionais na satisfação do turista, enquanto uma atuação de excelência eleva a experiência a outro patamar (Tourism Management, 2021).

No Brasil, esse impacto ganha contornos ainda mais fortes porque a profissão é regulamentada pela Lei 8.623/1993, que estabelece a exclusividade dos guias para informar, orientar e conduzir visitantes em atrativos turísticos (Planalto, 1993). Essa base legal reforça a importância do guia como responsável direto pela qualidade percebida e pela segurança da experiência turística.

Estudos ainda mostram que a satisfação do turista é determinante para a lealdade. Segundo uma meta-análise publicada na Tourism Review, visitantes satisfeitos têm maior propensão a recomendar o destino, repetir a experiência e se tornarem fiéis à marca ou local visitado (Emerald Insight, 2020).

Comportamentos específicos reforçam essa conexão. A escuta ativa aumenta a confiança do visitante, a conduta ética fortalece a imagem do destino e a qualidade da narrativa cultural transforma a viagem em uma experiência autêntica. Em outras palavras, quando o guia entrega excelência, ele não apenas melhora a estadia, mas também cria vínculos duradouros entre o turista e o destino.

Apesar dos avanços, muitos destinos turísticos de massa ainda subestimam o papel do guia. A pressa em padronizar roteiros compromete a experiência e reduz o potencial de fidelização. Além disso, o setor exige capacitação contínua, envolvendo idiomas, técnicas de mediação cultural, uso de tecnologia, segurança e práticas sustentáveis.

Iniciativas como a We Guide Academy, que oferece microlearning (microaprendizagem) para guias e condutores, mostram caminhos promissores. Elas colocam o profissional no centro da experiência turística e ajudam o Brasil a se alinhar às tendências globais de personalização e qualidade.

Se a satisfação e a fidelização do turista dependem do guia, não há dúvidas: investir nesse profissional é investir no futuro do turismo. É preciso valorizar sua atuação, criar políticas de capacitação e medir a qualidade do serviço prestado.

No fim, mais do que hotéis, paisagens ou restaurantes, o que o visitante leva na memória é a forma como foi recebido e conduzido. O guia é o rosto do destino. Reconhecer isso é transformar o turismo em uma experiência mais humana, sustentável e competitiva.

Ana Macêdo

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