Autor: Fabiano Vidal

  • Arnaldo Junior Farias, ex-prefeito de Cabaceiras, analisa transformação de João Pessoa pelo Turismo

    Arnaldo Junior Farias, ex-prefeito de Cabaceiras, analisa transformação de João Pessoa pelo Turismo

    Neste artigo, Arnaldo Junior Farias, ex-prefeito do município de Cabaceiras e atualmente consultor nas áreas de Gestão de Políticas Públicas, Desenvolvimento Territorial e Turismo, credenciado no Sebrae Nacional, apresenta uma análise da transformação da capital paraibana de periférica para cidade de escolha que atrai migrantes de diferentes regiões, examinando como o crescimento populacional acelerado redesenha a dinâmica urbana e os desafios estruturais de planejamento, mobilidade, habitação e governança territorial, argumentando que a cidade chegou a um ponto de decisão crítico que definirá seu futuro desenvolvimento.

    Para compreender a análise completa de Arnaldo Junior Farias sobre o futuro de João Pessoa, leia o artigo abaixo.

    João Pessoa no Limiar – Por Arnaldo Júnior Farias

    Durante décadas, João Pessoa foi vista como uma capital periférica no cenário nacional. Uma cidade bonita, tranquila, acolhedora, mas fora do eixo dos grandes fluxos econômicos e populacionais do Brasil. Isso mudou.

    Os dados do Censo 2022 do IBGE revelam uma virada histórica no mapa da migração interna brasileira. Estados como Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná passaram a ser os grandes pólos de atração populacional. São Paulo e Rio de Janeiro, pela primeira vez em muitas décadas, perderam centralidade como destino natural da mobilidade social.

    No Norte e Nordeste, um dado chama ainda mais atenção: a Paraíba foi o único estado com saldo migratório positivo. E isso não é obra do acaso. Esse crescimento é puxado de forma clara por João Pessoa — a capital que mais cresceu no Nordeste na última década.

    João Pessoa entrou definitivamente no clube das cidades de escolha.

    Uma cidade que passou a ser escolhida — não apenas herdada

    Hoje, João Pessoa atrai pessoas que já consolidaram suas trajetórias profissionais e familiares. Aposentados, famílias em transição de vida, investidores imobiliários, profissionais em trabalho remoto e pessoas em busca de qualidade de vida passaram a enxergar a cidade como destino permanente de moradia.

    A cidade reúne atributos que pesam muito mais do que o tamanho da metrópole: litoral urbano com praias balneáveis, qualidade ambiental, serviços estruturados, custo de vida mais competitivo, escala humana, população acolhedora e educada

    João Pessoa é, ao mesmo tempo, grande o suficiente para oferecer oportunidades e pequena o suficiente para oferecer tranquilidade.

    Esse novo perfil migratório — vindo de fora, com renda, expectativas e poder de escolha — passou a pressionar profundamente o território.

    O turismo deixou de ser setor. Virou força que redesenha a cidade.

    O turismo, que por décadas foi uma atividade relevante, tornou-se agora vetor estruturante da forma urbana.

    Isso significa que ele passou a moldar: o mercado imobiliário, o custo de vida, a ocupação do solo, o padrão de serviços, a mobilidade e a própria geografia social da cidade

    O Polo Turístico Cabo Branco é o símbolo mais evidente dessa virada.

    Um complexo turístico de escala bilionária, com resorts, hotéis de grandes bandeiras, parques temáticos e estruturas de entretenimento, projetado para inserir João Pessoa no circuito nacional e internacional do turismo de alto padrão.

    É, ao mesmo tempo, oportunidade e alerta.

    Experiências semelhantes em várias regiões do Brasil mostram que grandes resorts frequentemente funcionam como ilhas econômicas, com baixa integração à economia urbana local, pouca absorção de mão de obra qualificada da cidade e reduzida circulação de renda no território.

    O risco é claro: criar enclaves turísticos que concentram valor sem irradiar desenvolvimento.

    A metrópole silenciosa que já existe — sem projeto

    João Pessoa já não é apenas João Pessoa. Cabedelo, Bayeux, Santa Rita, Conde, Lucena e Cruz do Espírito Santo, tornaram-se a válvula de escape da capital. É para essas cidades que migram as famílias pressionadas pelo aumento dos aluguéis e do valor dos imóveis.

    Forma-se, silenciosamente, uma região metropolitana com quase 1,5 milhão de habitantes, sem governança metropolitana efetiva, sem planejamento integrado e sem projeto urbano comum.

    A conurbação acontece — mas sem comando.

    A infraestrutura de ontem para a cidade de amanhã.

    A BR-230 cortando João Pessoa é o símbolo mais visível da ausência de uma malha estrutural moderna de mobilidade urbana e metropolitana. Uma rodovia federal, pensada para o tráfego de longa distância e cargas pesadas, tornou-se eixo urbano cotidiano de deslocamento.

    Com basicamente dois viadutos fazendo a ligação entre a cidade antiga e a cidade das praias, o resultado é previsível: congestionamentos crescentes, aumento do tempo de deslocamento, perda de qualidade de vida e desgaste da cidade que justamente cresceu por ser tranquila.

    João Pessoa virou outra cidade — sem que sua espinha dorsal urbana tivesse sido redesenhada.

    O paradoxo: o crescimento que ameaça o próprio diferencial

    João Pessoa cresce porque é tranquila, bonita, humana e funcional. Mas cresce de forma que começa a ameaçar exatamente esses atributos.

    Sem intervenção estratégica, a cidade corre o risco de repetir trajetórias já conhecidas de Recife, Salvador, Fortaleza e Natal: espraiamento urbano, gentrificação acelerada, perda de identidade, conflitos silenciosos e colapso progressivo da mobilidade e da qualidade de vida.

    João Pessoa chegou ao seu ponto de decisão

    A cidade não está mais no tempo das escolhas espontâneas. Ela entrou no tempo das decisões estruturais.

    Ou João Pessoa assume um novo ciclo de: planejamento metropolitano integrado, redesenho estrutural da mobilidade, política ativa de habitação, regulação do adensamento, governança territorial compartilhada, ou entrará no ciclo da perda de seu próprio diferencial.

    O crescimento é uma oportunidade rara. Mas só vira desenvolvimento quando é planejado.

    João Pessoa não é mais apenas uma cidade em crescimento. Ela é, agora, uma cidade em decisão.

    Arnaldo Junior Farias é consultor nas áreas de Gestão de Políticas Públicas, Desenvolvimento Territorial e Turismo. Credenciado no Sebrae Nacional. Ex-Prefeito do município de Cabaceiras PB. Ganhador do Prêmio Nacional Prefeito Empreendedor da Região Nordeste e do Prêmio Gestão e Cidadania da FGV/BNDES – 2004 como uma das cinco melhores experiências de Gestão Inovadora do País.

  • IA generativa e IA agêntica: como funcionam e por que importam para o turismo

    IA generativa e IA agêntica: como funcionam e por que importam para o turismo

    A inteligência artificial evoluiu rapidamente e trouxe dois conceitos importantes: IA generativa e IA agêntica. Embora muitas vezes mencionadas juntas, cada uma tem funções diferentes e impacto direto na forma como viajamos, planejamos e recebemos serviços no setor de turismo.

    A IA generativa cria conteúdos novos com base em grandes volumes de dados. Ela produz textos, imagens, sugestões de roteiros, descrições de destinos e respostas personalizadas. É usada principalmente para planejamento, atendimento inicial e comunicação com viajantes, ajudando empresas a oferecer informações rápidas, claras e adaptadas ao perfil de cada pessoa.

    A IA agêntica vai além da criação de conteúdo e realiza ações completas por conta própria. Ela pode reservar voos, ajustar hospedagens em caso de imprevistos, monitorar viagens e ativar protocolos de segurança. Nesse contexto, entra o conceito de duty of care, que é a responsabilidade das empresas em garantir segurança, orientação e suporte ao viajante durante toda a viagem. A IA agêntica ajuda a cumprir esse dever porque reage rapidamente a mudanças e oferece soluções imediatas.

    No turismo, as duas formas de IA já fazem diferença. A generativa apoia agentes, operadoras e hotéis na criação de mensagens, atendimento personalizado e melhoria da comunicação. A agêntica assume tarefas mais complexas, como reorganizar viagens após cancelamentos, sugerir rotas alternativas e gerenciar reservas adicionais com base em dados atualizados.

    A combinação dessas tecnologias traz benefícios claros. A IA generativa aumenta a personalização e reduz tarefas repetitivas, enquanto a agêntica agiliza processos e melhora a eficiência operacional. Juntas, elas podem elevar a qualidade da experiência do viajante e tornar o setor mais seguro, rápido e inteligente.

    O desafio é garantir uso responsável, com respeito à privacidade, transparência nos dados e adoção ética. Se aplicadas de forma equilibrada, IA generativa e IA agêntica fortalecem a confiança entre empresas e viajantes e ajudam a construir um turismo mais eficiente e preparado para o futuro.

    Por Fabiano Vidal – Turismólogo, Jornalista de Turismo, Especialista em Marketing e Publicidade, Doutor em Ciência da Informação e ex-presidente da ABRAJET-PB (2020-2022)

  • Catálogo digital trilíngue sobre Sivuca é lançado em Campina Grande após projeto integrador da UNIFACISA

    Catálogo digital trilíngue sobre Sivuca é lançado em Campina Grande após projeto integrador da UNIFACISA

    A turma pioneira do curso de Design Gráfico Digital da UNIFACISA lançou na noite de terça-feira (18) o catálogo multimídia “Sivuca Digital”. O lançamento aconteceu às 19h no Cinema UNIFACISA, em Campina Grande. O projeto, coordenado pelo professor Daniel Leite e orientado pelo jornalista Romero Rodrigues, vice-presidente da Abrajet-PB, produziu catálogo digital e vídeo sobre o Espaço Cultural Sivuca de Itabaiana. A iniciativa contou com apoio da Prefeitura de Itabaiana, da Secretaria de Cultura municipal, do Inovalab e da Abrajet-PB. O catálogo está disponível em três idiomas: português, inglês e espanhol, com acesso via QR Code.

    O desenvolvimento começou em setembro, quando o prefeito Dr. Cláudio Neto, o secretário de Cultura Fábio Rodrigues e Vilma de Oliveira, sobrinha de Sivuca, participaram da apresentação do projeto em sala de aula. Em outubro, a jornalista Rosa Aguiar, da Abrajet-PB, que produziu documentário com Sivuca nos anos 1990 em Campo Grande, Itabaiana, foi convidada pelos alunos. “Acredito que é importante que as pessoas saibam quem foi esse gênio e como conseguiu chegar tão longe, com o seu talento. Então, essas informações são fundamentais”, declarou Rosa Aguiar. Ela apresentou exemplos de museus digitais como Anne Frank e Ipiranga.

    José Vieira Neto, presidente da Abrajet-PB, destacou o caráter histórico do projeto. “O que vemos diante de nós não é apenas um catálogo multimídia. É um gesto vanguardista, histórico, que honra a memória de um dos maiores artistas que a Paraíba já deu ao mundo: Sivuca”, afirmou. O presidente reconheceu o trabalho do professor Romero Rodrigues. “Há projetos que nascem grandes, este aqui nasceu gigante”, declarou. Ele também destacou o papel da Prefeitura de Itabaiana. “É assim que se faz política cultural: unindo universidade, poder público e comunidade”, afirmou. A Abrajet-PB completa 40 anos em 2026.

    O secretário municipal destacou a importância do projeto para a economia, inovação tecnológica, cultura e turismo de Itabaiana. Romero Rodrigues também coordenou projeto pioneiro do Casarão Zé Rufino em Areia. O QR Code será disponibilizado na Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Espaço Cultural Sivuca), Secretaria de Cultura de Itabaiana, Prefeitura e outros órgãos públicos. Sivuca foi músico e instrumentista paraibano de Itabaiana com reconhecimento internacional.

  • Fonte do Tambiá aguarda autorização judicial para início das obras de restauração em João Pessoa

    Fonte do Tambiá aguarda autorização judicial para início das obras de restauração em João Pessoa

    A restauração da histórica Fonte do Tambiá, em João Pessoa, aguarda apenas a autorização judicial para que as obras sejam iniciadas. O monumento tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1941 está escorado por estacas de madeira desde 2011, quando sofreu um desabamento parcial.

    Em agosto de 2025, a Advocacia-Geral da União (AGU) participou de audiência de conciliação no Parque Zoobotânico Arruda Câmara que resultou em acordo para a restauração do patrimônio. O encontro contou com representantes do Iphan, da Prefeitura de João Pessoa, do Ministério Público Federal e do advogado Vandilo de Farias Brito Sobrinho, autor da Ação Popular pela restauração.

    Segundo informações do superintendente do Iphan, Emanuel Braga, o acordo prevê dupla responsabilidade financeira: a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de João Pessoa (SEMAM/PMJP) e a empresa Al Empreendimentos Paraíba, antiga Alphaville PB, deverão disponibilizar 50% cada uma do valor necessário para execução do restauro através de depósitos judiciais.

    A empresa foi incluída no processo devido ao descumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2016, que previa a execução da obra de restauração da fonte. O acordo foi homologado pela Justiça Federal na Paraíba em agosto de 2025.

    “Agora está na dependência do juiz bater o martelo para que os depósitos judiciais possam ser efetivados”, explicou Emanuel Braga sobre o atual estágio do processo.

    O acordo também estabelece que a Prefeitura de João Pessoa deverá executar medidas emergenciais para conter a degradação do monumento, incluindo revisão das contenções estruturais, estabilização de áreas com risco de desabamento, controle de infiltrações, remoção da vegetação invasiva e instalação de placas de sinalização, todas sob supervisão do Iphan.

    A Fonte do Tambiá foi construída em 1782 por ordem da Provedoria da Fazenda Real e reconstruída em 1889. Segundo a lenda indígena, a fonte nasceu das lágrimas de Aipré, filha de um cacique Tabajara que foi designada para cuidar do guerreiro cariri Tambiá, capturado em combate. Durante o convívio, Aipré se apaixonou pelo prisioneiro, mas não conseguiu evitar sua morte ordenada pelo pai. Inconsolável pela perda do amado, a jovem chorou durante cinquenta luas, dando origem à nascente de água.

    Durante mais de um século, suas três bicas de bronze garantiram o abastecimento de água para grande parte da população da capital paraibana, sendo substituída pelo sistema de água encanada apenas na década de 1920.

    O monumento está localizado no Parque Arruda Câmara, criado em 1921 em homenagem ao botânico paraibano Manuel Arruda Câmara. Atualmente, a fonte encontra-se desativada e parcialmente soterrada, aguardando a decisão judicial final para que os recursos sejam liberados e as obras de restauração possam ser iniciadas.

  • Museu da História da Paraíba é inaugurado no Centro Histórico de João Pessoa

    Museu da História da Paraíba é inaugurado no Centro Histórico de João Pessoa

    O Museu da História da Paraíba foi inaugurado na sexta-feira (3) no Palácio da Redenção, no Centro Histórico de João Pessoa. O equipamento passou pela maior restauração de seus mais de 400 anos de história, com investimento de R$ 11,5 milhões. A obra contemplou modernização completa das instalações elétricas, hidráulicas, sanitárias, climatização, cabeamento estruturado, combate a incêndio, acessibilidade e segurança.

    O governador João Azevêdo destacou o caráter inclusivo da iniciativa. “A entrega do Palácio da Redenção à população paraibana é um ato de inclusão no sentido mais puro. Eu me incomodava muito quando perguntava se as pessoas conheciam o Palácio da Redenção e elas diziam que não. Por isso, ter esse ambiente fechado para o acesso de poucos me incomodava muito”, declarou. O vice-governador Lucas Ribeiro classificou a inauguração como “um dia histórico para o estado”.

    O prefeito Cícero Lucena, que participou do evento acompanhado da bancada governista na Câmara Municipal, enfatizou a importância da parceria entre estado e município. “É um projeto que conta com a parceria de diversas entidades com a Prefeitura Municipal. Sinto grande satisfação em ver João Pessoa abraçar esse projeto em sua totalidade, com cada parte desempenhando seu papel. Essa colaboração é essencial para a revitalização definitiva do Centro”, afirmou. O prefeito lembrou que a gestão municipal atua no fortalecimento da área central por meio do programa Viva o Centro, que concede incentivos fiscais e promove a recuperação de prédios históricos.

    O museu funcionará de terça a domingo, com visitação gratuita nos horários de 9h, 11h, 13h e 15h. Grupos a partir de dez pessoas devem agendar pelo email museudehistoriapb@gmail.com. O espaço abrigará obras de artistas como Pedro Américo, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Cândido Portinari, além de um espaço dedicado a Ariano Suassuna, que nasceu no palácio em 1927. A iniciativa integra um conjunto de ações de revitalização do Centro Histórico que inclui a reforma do Teatro Santa Roza e outras obras na região.