O Turismo de João Pessoa: Da promessa dos anos 90 à realidade de hoje

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No final dos anos 1990, João Pessoa era considerada a “bola da vez” no turismo nacional. Foi nesse período que surgiram os primeiros cursos técnicos e superiores, como o I Curso Especial de Técnico em Turismo da Escola Técnica Federal da Paraíba (depois CEFET e atualmente IFPB) e os cursos de Turismo da IESP Faculdades (atual UNIESP) e da Universidade Federal da Paraíba. Embora houvesse otimismo, os anos passaram e a “bola da vez” nunca despontou, apesar de toda sua potencialidade turística, o que causava grande frustração entre empresários do setor e o poder público municipal. Este realizava campanhas de promoção turística que exaltavam a tranquilidade da cidade, o custo de vida acessível e, claro, as belezas naturais ímpares de praias como Tambaú, Cabo Branco e a Ponta do Seixas, “onde o sol nasce primeiro nas Américas”.

Apesar de toda a desconfiança, os investimentos no setor nunca cessaram, e João Pessoa ganhou novos hotéis e restaurantes, além de empreendimentos voltados para atender bem à população e aos turistas, quase sempre oriundos de Recife e Natal. Pela proximidade entre as cidades, esses visitantes procuravam a capital paraibana, que se destacava pela tranquilidade, apresentando-se como um destino ideal para quem buscava fugir da agitação das grandes capitais. Os turistas, em sua maioria, eram casais e famílias que valorizavam um ritmo mais lento, algo que João Pessoa oferecia com maestria.

Com o passar dos anos, João Pessoa ganhou força em um setor que, até então, não tinha relevância: o turismo de eventos. A chegada do João Pessoa Convention & Visitors Bureau, da Estação Ciência Cabo Branco e do Centro de Convenções Ronaldo Cunha Lima permitiu não apenas combater a sazonalidade do setor, mas também colocar João Pessoa em destaque nesse mercado. Isso manteve o turismo aquecido mesmo após o fim do período de férias dos turistas de lazer, possibilitando o crescimento de empresas e novos investimentos no turismo.

A retomada do Polo Turístico Cabo Branco, com a instalação de novos hotéis que prometem dobrar a capacidade hoteleira de João Pessoa, recolocou, por assim dizer, a capital no mapa turístico brasileiro, destacando-a como um dos principais destinos turísticos do Nordeste. O fluxo de turistas cresceu exponencialmente, com visitantes de diversas partes do Brasil e do mundo desembarcando à procura de suas praias deslumbrantes, gastronomia singular e experiências culturais autênticas.

No entanto, é importante frisar que, se agora João Pessoa é uma realidade no cenário turístico brasileiro, cresce, junto com o número de turistas, a responsabilidade do trade turístico, da Prefeitura, do Governo do Estado e da sociedade civil de debater o planejamento do turismo para as próximas décadas. Isso é essencial para que esta atividade, que tantos benefícios traz para o desenvolvimento da economia, gerando empregos diretos e indiretos, não se torne predatória, vítima de um turismo de massa que pode, por exemplo, impactar negativamente atrativos naturais como Picãozinho.

Nesse sentido, o turismo deve ser compreendido como uma política pública, planejada no presente com vistas ao futuro, para que seja uma atividade sustentável e um dos pilares da economia local. Com essa finalidade em mente, é fundamental que as autoridades invistam em soluções que harmonizem os interesses de turistas e moradores. Medidas como o controle da especulação imobiliária e a promoção de um turismo inclusivo e sustentável podem ser o caminho para evitar que o crescimento do setor se torne um fardo para a população.

João Pessoa já provou que pode ser mais do que uma promessa; hoje, é uma realidade no mapa turístico nacional. Resta agora encontrar o equilíbrio entre o progresso e a preservação do que a torna tão especial: sua combinação única de beleza, acolhimento e qualidade de vida.

Fabiano Vidal é Turismólogo, Jornalista de Turismo, Doutor em Ciência da Informação e ex-presidente da ABRAJET-PB (2020-2022)
Foto: Alexandre Saraiva Carniato (Pexels)

Porto do Capim tem projeto de requalificação no Centro Histórico de João Pessoa

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A Prefeitura de João Pessoa apresentou detalhes do projeto de requalificação do Porto do Capim, no Centro Histórico, em reunião com a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades. A iniciativa, contemplada pelo programa federal Periferia Viva, visa revitalizar a área com melhorias urbanísticas, preservação histórica e inclusão social, beneficiando diretamente cerca de 600 famílias.

O projeto prevê obras de infraestrutura como pavimentação, saneamento, drenagem e abastecimento de água, além da construção e reforma de moradias e pontos comerciais. Prédios históricos serão recuperados, e pequenos portos serão construídos para facilitar o acesso à bacia do Rio Sanhauá. Com um investimento total de R$ 107 milhões, sendo R$ 7 milhões de contrapartida da Prefeitura, a intervenção reforça o compromisso com o desenvolvimento sustentável do Centro Histórico.

Socorro Gadelha, secretária de Habitação, destacou a importância do projeto para resgatar a área histórica e melhorar a qualidade de vida dos moradores. “Essa intervenção urbanística trará infraestrutura e dignidade às famílias, sem removê-las da região, garantindo um impacto positivo para a comunidade do Porto do Capim e para toda João Pessoa.”

A proposta inclui também um trabalho social integrado e regularização fundiária, reforçando o papel do Porto do Capim como símbolo da revitalização do Centro Histórico e da valorização do patrimônio cultural e humano da cidade.

Redação, com informações da Secom-JP
Foto: Assessoria Secom-JP

Embratur vai ao Benin para fortalecimento de relações culturais e turísticas

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Ponto alto será a reunião do Comitê de Implementação da Cooperação Cultural Brasil-Benin-Brasil.

Representando o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, a coordenadora de Afroturismo, Diversidade e Povos Indígenas da Agência, Tania Neres, iniciou, nesta quarta-feira (8), uma visita oficial ao Benin, na África Ocidental, com uma agenda voltada para o fortalecimento das relações culturais, turísticas e históricas entre os dois países.
 

A missão, que segue até domingo (12), ocorre em um momento estratégico, dado o crescente interesse em aprofundar as conexões entre o Brasil e o continente africano, sobretudo no campo do turismo de raízes, segmento no qual os turistas viajam em busca do conhecimento sobre seus antepassados. Tania Neres será recebida em Cotonou, capital econômica do Benin, e participará de reuniões em Uidá e Porto-Novo, cidades de grande relevância histórica para a diáspora africana. Entre os compromissos, destacam-se encontros com autoridades locais e visitas a pontos emblemáticos, como o Couvent Sakpata e o Temple des Pythons. A agenda também inclui a participação no Festival das Culturas Ancestrais Vodun, uma celebração das tradições culturais e religiosas do Benin.
 

De acordo com a coordenadora de Afroturismo da Embratur, o ponto alto será a reunião do Comitê de Implementação da Cooperação Cultural Brasil-Benin-Brasil. “O diálogo abordará iniciativas para fortalecer os laços bilaterais e explorar oportunidades no campo das artes, do patrimônio cultural e do audiovisual, alinhando-se ao Memorando de Entendimento Cultural assinado em 2024”, destacou.
 

A visita de Tania Neres ao Benin simboliza um passo importante na reconstrução de laços históricos e culturais entre o Brasil e o continente africano. Com um foco no afroturismo e na ancestralidade, a missão reforça o compromisso de ambos os países em transformar suas conexões em oportunidades reais de cooperação, respeito mútuo e desenvolvimento.
 Afroturismo – Em março de 2024 o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, já havia ressaltado a importância de reconstruir laços históricos e culturais durante um encontro com dirigentes do Benin em Brasília. “Temos identidade, história e dois povos que compartilham uma alegria profunda. O mundo precisa disso”, declarou Freixo na ocasião. Além disso, temas como a isenção de vistos para brasileiros viajando ao Benin e a criação de projetos conjuntos de preservação do patrimônio cultural são vistos como potenciais catalisadores para o fortalecimento da relação.
 História e laços compartilhados – O Brasil e o Benin compartilham uma conexão ancestral profunda, marcada pela diáspora africana e pela contribuição cultural de povos africanos no Brasil. A cidade de Salvador (BA), com sua herança afro-brasileira, é um elo simbólico entre as duas nações. Para as autoridades beninenses, o turismo pode ser a principal ferramenta para reaproximar os dois países. “Queremos que o Benin seja o elo que conecte o Brasil à África, reconstruindo a fraternidade que nos une por meio de nossos ancestrais”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Benin, Olusgehun Bakari.
 O ministro de Estado da Economia e Finanças de Benin, Romuald Wadagni, reafirmou a importância de um projeto comum entre os dois países. “Seria interessante construirmos uma ‘passarela’ entre Brasil e África, uma vez que 56% dos brasileiros são de origem africana. Temos que reconstruir e reaproximar o que temos em comum: a nossa fraternidade, os nossos ancestrais. Queremos construir algo novo para que possamos compartilhar algo juntos”, afirmou.
 O ministro dos Negócios Estrangeiros de Benin, Olusgehun Bakari, também acredita que o turismo é o segmento que pode aproximar, ainda mais, o Brasil e o país africano. “Reforçar e apostar no turismo é necessário para uma ligação direta entre os dois países. Queremos que Benin seja o elo, a principal ligação do Brasil com a África. Queremos que os brasileiros sejam isentos de visto”, finalizou.

João Pessoa e os desafios de ser um destino em alta

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João Pessoa, nossa capital, tem se destacado no cenário internacional como um dos destinos turísticos mais promissores para 2025. De acordo com uma pesquisa do Booking.com, divulgada em 12 de dezembro de 2024, a cidade ocupa o terceiro lugar na lista dos destinos mais procurados por viajantes de todo o mundo, ficando atrás apenas de Sanya, na China, e Trieste, na Itália. Reconhecida por suas paisagens naturais deslumbrantes, praias paradisíacas e um rico patrimônio histórico-cultural, João Pessoa atrai olhares globais e se posiciona como um destino de destaque. No entanto, este status traz desafios importantes, como o planejamento estratégico e a implementação de políticas públicas que garantam um crescimento sustentável, que possa beneficiar não apenas o turista, mas, principalmente, os moradores da cidade.

Algo que precisa ser dito, para início de conversa, é que, ao contrário do que subcelebridades paraibanas andam dizendo por aí, em tom de brincadeira ou não, sobre a “culpa” de a cidade estar na preferência de viagem da maioria dos turistas, o tão aguardado “boom” no turismo se deve a eles, há de se esclarecer que isso não é verdade. Houve muito trabalho por trás desse resultado, e que não começou agora. Foram anos de trabalho sério para promover o destino, e não se trata apenas de promover João Pessoa, mas toda a Paraíba.

Se existem “culpados”, é fundamental mencionar nomes como: Wills Leal (in memoriam), fundador da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo, Seccional Paraíba (Abrajet – PB), idealizador da “Roliúde Nordestina”, em Cabaceiras, Cariri paraibano e autor de vários livros; Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba que, possibilitou a construção de estradas que interligaram praticamente todos os municípios da Paraíba, criando acessos que contribuíram para o desenvolvimento do turismo; Ivan Burity que, na década de 1980, quando era o diretor-presidente da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), criou o projeto Costa do Sol, hoje conhecido como Polo Turístico Cabo Branco, e em 2015, quando voltou ao governo conseguiu destravar essa importante área destinada ao turismo.

Se existem “culpados”, é necessário, mencionar Ruth Avelino, ex-presidente da PBTur, que, ao longo dos 12 anos em que esteve à frente do órgão, fez um excelente trabalho de promoção da Paraíba e agora, Ferdinando Lucena, atual presidente não tem medido esforços para promover o Estado em feiras e rodadas de negócios no Brasil e no exterior; Regina Amorim, gerente de Turismo e Economia Criativa do Sebrae – PB que, tem incansavelmente investido na formalização das micro e pequenas empresas do setor e na criação de roteiros turísticos como o “Encantos do Rio Paraíba” e a “Rota Terra dos Potiguara”, incluídos no “Projeto Vitrine Visit Brasil”, da Embratur.

Se existem “culpados”, é muito importante considerar o trabalho dos jornalistas de turismo, que estão há anos escrevendo, formando opinião e fomentando a cadeia produtiva; também os influenciadores digitais que levam a sério a divulgação das potencialidades do Estado, assim como os profissionais, as empresas, as associações e os sindicatos ligados ao setor do turismo. Esses “atores” contribuíram de maneira significativa para que a Paraíba atingisse o patamar onde está hoje. O resultado atual é fruto de décadas de dedicação, planejamento e ações conjuntas, que agora colocam a Paraíba, especialmente João Pessoa, como referência no turismo regional, nacional e internacional.

Inclusive, e não menos importante, é o mercado imobiliário, que anda lado a lado com o turismo. Com seus construtores arrojados e visionários e com sede de expansão, esse setor tem ampliado a oferta na cidade, proporcionando infraestrutura de qualidade para atender à crescente demanda de turistas e novos moradores. Além de oferecer apartamentos, studiosflats e espaços comerciais, essas iniciativas têm transformado a paisagem urbana, criando um ambiente ainda mais atrativo e valorizado para visitantes e investidores.

Essa sinergia entre turismo e mercado imobiliário é impulsionada por investimentos de grande porte, como a construção de novos hotéis e resorts no Polo Turístico Cabo Branco. O presidente da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep), Rômulo Polari Filho, em entrevista à Radio Correio FM em 14 de novembro de 2024, destacou que João Pessoa está prestes a dobrar sua capacidade de leitos de hospedagem nos próximos cinco anos. Essa expansão inclui empreendimentos como o Resort Tauá, que sozinho adicionará mais de 5 mil novos leitos, com a primeira etapa prevista para ser concluída em dezembro de 2025. Além disso, o desenvolvimento do Polo Turístico deverá gerar cerca de 12 mil empregos diretos, evidenciando o impacto positivo desse crescimento na economia local e no fortalecimento da imagem de João Pessoa como um destino de excelência.

No entanto, essa expansão acarreta algumas preocupações. A falta de planejamento adequado pode comprometer a experiência do turista e a qualidade de vida dos moradores. Ontem, primeiro dia do ano, observei um exemplo claro dessa ausência de planejamento: fui a uma padaria em Tambaú, possivelmente a única aberta na redondeza, que estava superlotada de turistas, consumindo e trazendo ativos para nossa economia. Enquanto isso, também observei que outros pontos comerciais permaneceram fechados, o que me fez questionar a falta de planejamento para atender à crescente demanda da alta temporada. Além disso, quando fui pagar a conta de um lanche simples, pão com queijo e suco de laranja, o preço estava elevado e desproporcional aos rendimentos dos moradores. Esse é um problema que pode impactar negativamente o turismo.

Por causa disso, a capacitação de empresários e trabalhadores do setor turístico é crucial para evitar o amadorismo, tanto no atendimento quanto na precificação de produtos. A crescente demanda por experiências autenticas e por um turismo de qualidade exige investimentos contínuos em qualificação profissional e um planejamento estratégico bem estruturado, que integra os diversos setores do turismo, até mesmo o trânsito. Com esse foco, João Pessoa atingirá o potencial para se consolidar como um dos destinos mais procurados do mundo. Suas belezas naturais, aliadas à riqueza cultural e a um setor turístico cada vez mais preparado, são os pilares para garantir um crescimento sustentável.

Ainda assim, essa conquista depende de ações concretas e coordenadas entre o poder público, o setor privado e a sociedade civil. É fundamental que hoje, não futuramente, o turismo na capital paraibana e em todo o estado não se limite apenas a atrair turistas, mas promova um desenvolvimento equilibrado. Um turismo planejado para toda a Paraíba deve ser inclusivo e sustentável, buscando integrar regiões e comunidades, para que o crescimento econômico venha acompanhado de benefícios reais para todos os paraibanos.

Ana Macêdo

Imagem caminhosmelevem.com

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