Categoria: Colunistas

  • João Pessoa e os desafios de ser um destino em alta

    João Pessoa e os desafios de ser um destino em alta

    João Pessoa, nossa capital, tem se destacado no cenário internacional como um dos destinos turísticos mais promissores para 2025. De acordo com uma pesquisa do Booking.com, divulgada em 12 de dezembro de 2024, a cidade ocupa o terceiro lugar na lista dos destinos mais procurados por viajantes de todo o mundo, ficando atrás apenas de Sanya, na China, e Trieste, na Itália. Reconhecida por suas paisagens naturais deslumbrantes, praias paradisíacas e um rico patrimônio histórico-cultural, João Pessoa atrai olhares globais e se posiciona como um destino de destaque. No entanto, este status traz desafios importantes, como o planejamento estratégico e a implementação de políticas públicas que garantam um crescimento sustentável, que possa beneficiar não apenas o turista, mas, principalmente, os moradores da cidade.

    Algo que precisa ser dito, para início de conversa, é que, ao contrário do que subcelebridades paraibanas andam dizendo por aí, em tom de brincadeira ou não, sobre a “culpa” de a cidade estar na preferência de viagem da maioria dos turistas, o tão aguardado “boom” no turismo se deve a eles, há de se esclarecer que isso não é verdade. Houve muito trabalho por trás desse resultado, e que não começou agora. Foram anos de trabalho sério para promover o destino, e não se trata apenas de promover João Pessoa, mas toda a Paraíba.

    Se existem “culpados”, é fundamental mencionar nomes como: Wills Leal (in memoriam), fundador da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo, Seccional Paraíba (Abrajet – PB), idealizador da “Roliúde Nordestina”, em Cabaceiras, Cariri paraibano e autor de vários livros; Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba que, possibilitou a construção de estradas que interligaram praticamente todos os municípios da Paraíba, criando acessos que contribuíram para o desenvolvimento do turismo; Ivan Burity que, na década de 1980, quando era o diretor-presidente da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), criou o projeto Costa do Sol, hoje conhecido como Polo Turístico Cabo Branco, e em 2015, quando voltou ao governo conseguiu destravar essa importante área destinada ao turismo.

    Se existem “culpados”, é necessário, mencionar Ruth Avelino, ex-presidente da PBTur, que, ao longo dos 12 anos em que esteve à frente do órgão, fez um excelente trabalho de promoção da Paraíba e agora, Ferdinando Lucena, atual presidente não tem medido esforços para promover o Estado em feiras e rodadas de negócios no Brasil e no exterior; Regina Amorim, gerente de Turismo e Economia Criativa do Sebrae – PB que, tem incansavelmente investido na formalização das micro e pequenas empresas do setor e na criação de roteiros turísticos como o “Encantos do Rio Paraíba” e a “Rota Terra dos Potiguara”, incluídos no “Projeto Vitrine Visit Brasil”, da Embratur.

    Se existem “culpados”, é muito importante considerar o trabalho dos jornalistas de turismo, que estão há anos escrevendo, formando opinião e fomentando a cadeia produtiva; também os influenciadores digitais que levam a sério a divulgação das potencialidades do Estado, assim como os profissionais, as empresas, as associações e os sindicatos ligados ao setor do turismo. Esses “atores” contribuíram de maneira significativa para que a Paraíba atingisse o patamar onde está hoje. O resultado atual é fruto de décadas de dedicação, planejamento e ações conjuntas, que agora colocam a Paraíba, especialmente João Pessoa, como referência no turismo regional, nacional e internacional.

    Inclusive, e não menos importante, é o mercado imobiliário, que anda lado a lado com o turismo. Com seus construtores arrojados e visionários e com sede de expansão, esse setor tem ampliado a oferta na cidade, proporcionando infraestrutura de qualidade para atender à crescente demanda de turistas e novos moradores. Além de oferecer apartamentos, studiosflats e espaços comerciais, essas iniciativas têm transformado a paisagem urbana, criando um ambiente ainda mais atrativo e valorizado para visitantes e investidores.

    Essa sinergia entre turismo e mercado imobiliário é impulsionada por investimentos de grande porte, como a construção de novos hotéis e resorts no Polo Turístico Cabo Branco. O presidente da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep), Rômulo Polari Filho, em entrevista à Radio Correio FM em 14 de novembro de 2024, destacou que João Pessoa está prestes a dobrar sua capacidade de leitos de hospedagem nos próximos cinco anos. Essa expansão inclui empreendimentos como o Resort Tauá, que sozinho adicionará mais de 5 mil novos leitos, com a primeira etapa prevista para ser concluída em dezembro de 2025. Além disso, o desenvolvimento do Polo Turístico deverá gerar cerca de 12 mil empregos diretos, evidenciando o impacto positivo desse crescimento na economia local e no fortalecimento da imagem de João Pessoa como um destino de excelência.

    No entanto, essa expansão acarreta algumas preocupações. A falta de planejamento adequado pode comprometer a experiência do turista e a qualidade de vida dos moradores. Ontem, primeiro dia do ano, observei um exemplo claro dessa ausência de planejamento: fui a uma padaria em Tambaú, possivelmente a única aberta na redondeza, que estava superlotada de turistas, consumindo e trazendo ativos para nossa economia. Enquanto isso, também observei que outros pontos comerciais permaneceram fechados, o que me fez questionar a falta de planejamento para atender à crescente demanda da alta temporada. Além disso, quando fui pagar a conta de um lanche simples, pão com queijo e suco de laranja, o preço estava elevado e desproporcional aos rendimentos dos moradores. Esse é um problema que pode impactar negativamente o turismo.

    Por causa disso, a capacitação de empresários e trabalhadores do setor turístico é crucial para evitar o amadorismo, tanto no atendimento quanto na precificação de produtos. A crescente demanda por experiências autenticas e por um turismo de qualidade exige investimentos contínuos em qualificação profissional e um planejamento estratégico bem estruturado, que integra os diversos setores do turismo, até mesmo o trânsito. Com esse foco, João Pessoa atingirá o potencial para se consolidar como um dos destinos mais procurados do mundo. Suas belezas naturais, aliadas à riqueza cultural e a um setor turístico cada vez mais preparado, são os pilares para garantir um crescimento sustentável.

    Ainda assim, essa conquista depende de ações concretas e coordenadas entre o poder público, o setor privado e a sociedade civil. É fundamental que hoje, não futuramente, o turismo na capital paraibana e em todo o estado não se limite apenas a atrair turistas, mas promova um desenvolvimento equilibrado. Um turismo planejado para toda a Paraíba deve ser inclusivo e sustentável, buscando integrar regiões e comunidades, para que o crescimento econômico venha acompanhado de benefícios reais para todos os paraibanos.

    Ana Macêdo

    Imagem caminhosmelevem.com

  • Turismo inclusivo e as inovações que transformam viagens em experiências com acessibilidade

    Turismo inclusivo e as inovações que transformam viagens em experiências com acessibilidade

    Viajar é, para mim e para muitos, uma forma de explorar o mundo, conectar-se com diferentes culturas e criar memórias inesquecíveis. No entanto, para pessoas com deficiências, o ato de viajar ainda enfrenta barreiras que limitam essa experiência. Apesar dos desafios, as iniciativas e inovações estão transformando o turismo, promovendo acessibilidade e garantindo que a atividade seja inclusiva. Neste artigo, compartilho algumas experiências e exemplos que mostram como tecnologias e adaptações na infraestrutura estão moldando um futuro com mais acessibilidade.

    A acessibilidade no turismo não é apenas um direito; é uma oportunidade de ampliar o impacto econômico e social. Segundo a Open Doors Organization, entre 2013 e 2015, mais de 26 milhões de adultos com deficiência viajaram, movimentando US$ 17,3 bilhões em gastos em todo o mundo. Este dado reforça que o turismo com acessibilidade atende não apenas um público significativo, mas também impulsiona o desenvolvimento econômico.

    No Brasil, vemos avanços importantes. De Norte a Sul, destinos como o Parque Nacional do Iguaçu, com passarelas acessíveis e a Praia de Iracema, que oferecem caminhadas e cadeiras anfíbias, são exemplos de inclusão. Museus como o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, e o Teatro Amazonas, em Manaus, se destacam por suas iniciativas inclusivas, como passeios com intérpretes em Libras e visitas virtuais.

    Recentemente, em João Pessoa, foi inaugurado o Centro de Atendimento ao Turista Adaptado, o primeiro equipamento deste tipo no Brasil. O CAT foi projetado para atender pessoas com deficiências (PCD) e mobilidade reduzida. O espaço inclui passarelas acessíveis, chuveiros adaptados, áreas para cadeirantes aproveitarem o banho de mar e atendimento especializado para pessoas com autismo. Com um investimento de R$ 746 mil, a estrutura é um exemplo de como o turismo pode ser inclusivo, proporcionando acesso digno e seguro às belezas naturais da cidade.

    Além das infraestruturas físicas, a tecnologia também está revolucionando a acessibilidade no turismo. Ferramentas como sites otimizados para leitores de tela, audioguias e plataformas de reservas inclusivas garantem mais autonomia para PCDs. Projetos como o App “Giulia Mãos que Falam”, que traduz Libras em áudio, modernizam a experiência de visitação a pontos turísticos. Essas inovações não apenas facilitam o acesso às informações e serviços, mas também promovem maior independência para os viajantes, tornando as experiências turísticas mais inclusivas, personalizadas e satisfatórias.

    Entretanto, apesar dos avanços, no Brasil os desafios persistem. Segundo o Ministério do Turismo, 53,5% dos turistas com deficiências já deixaram de viajar por falta de acessibilidade. Barreiras físicas, como calçadas irregulares e ausência de rampas, além da falta de treinamento de profissionais do setor, ainda limitam o acesso de muitos viajantes.

    Urge que as empresas e os gestores públicos invistam em infraestrutura, capacitação e inovação tecnológica. Inclusive, o MTur lançou Cartilhas de Turismo Acessível que orientam a capacitação do setor para atender esse público com empatia e de forma mais eficiente.

    Transformar o turismo em uma experiência com acessibilidade para todos é um compromisso ético, social e econômico. Acredito que, ao investir em tecnologia, infraestrutura e treinamento, podemos romper barreiras e garantir que todas as pessoas tenham igualdade de oportunidades.

    João Pessoa e outros destinos já estão mostrando que é possível criar um turismo inclusivo, com acessibilidade. Esses exemplos nos inspiram a continuar buscando soluções que valorizem a diversidade e promovam a integração social. Afinal, viajar deve ser um direito universal de todos, e a única barreira deveria ser a decisão de escolha para o próximo destino.

    Ana Macêdo

  • Turismo Espacial o sonho humano e os limites da responsabilidade

    Turismo Espacial o sonho humano e os limites da responsabilidade

    O espaço sempre fascinou a humanidade. Desde as primeiras observações feitas pelas civilizações antigas até as grandes descobertas modernas da astronomia, o desejo de explorar além dos limites da Terra permanece como uma constante em nossa história. Hoje, esse desejo chega a um novo patamar: o turismo espacial. E, surpreendentemente, não é mais exclusividade de cientistas ou astronautas. Empresas privadas como SpaceX, de Elon Musk, Blue Origin, de Jeff Bezos, e Virgin Galactic, de Richard Branson possibilitam que qualquer pessoa, desde que tenha uma conta bancária robusta, possa vivenciar a experiência de deixar a atmosfera terrestre. Sem dúvida, essas empresas são as grandes responsáveis pelo nascimento do turismo espacial.

    Em 2001, o bilionário Dennis Tito tornou-se o primeiro turista espacial. Ele pagou uma soma exorbitante para passar alguns dias na Estação Espacial Internacional, orbitando a Terra. Desde então, o setor avançou significativamente. Hoje, as viagens suborbitais oferecem minutos de gravidade zero e vistas de tirar o fôlego. A Virgin Galactic, por exemplo, cobra cerca de R$ 2 milhões por uma experiência de 90 minutos no espaço. É uma cifra acessível apenas a poucos privilegiados; mas, a expectativa é a de que os custos diminuam com o avanço da tecnologia e que haja a popularização dessas viagens.

    Entretanto, preciso admitir que a experiência vai muito além da simples contemplação. Imaginar-se flutuando no espaço, admirando a curvatura da Terra ou testemunhando um nascer do sol do lado de fora do planeta deve ser algo extraordinário. Ainda assim, não podemos ignorar os desafios físicos e biológicos dessa empreitada, pois o corpo humano não foi criado para viver na ausência de gravidade, até porque um curto período em gravidade zero pode gerar efeitos adversos como exposição à radiação e outras consequências ainda pouco exploradas pela ciência.

    Além disso, os impactos ambientais dos lançamentos de foguetes nos fazem pensar no preço que estamos pagando em termos de emissões de carbono, especialmente em um momento de tanta preocupação com as mudanças climáticas. Outro ponto que me chama a atenção são os desafios éticos e econômicos envolvidos nessa nova corrida espacial. Os valores elevados cobrados pelas viagens e os custos ambientais geram um questionamento inevitável como: será que estamos priorizando de forma responsável os avanços tecnológicos e científicos, ou estamos ignorando a sustentabilidade e as desigualdades globais em nome de um progresso restrito a poucos?

    Quando falamos sobre o turismo espacial, entendemos, não estamos apenas explorando novos territórios físicos, mas também mudando completamente a nossa percepção sobre o lugar que ocupamos no universo. Enxergar a Terra do espaço, com sua fragilidade e beleza, nos convida a repensar nossas ações de sustentabilidade, nossas prioridades e, principalmente, nossa responsabilidade em cuidar do único lar que conhecemos, a Terra.

    Como jornalista, sempre procuro lançar um olhar crítico sobre qualquer assunto, especialmente os relacionados a turismo e viagens. Acredito que viajar vai muito além de se deslocar de um ponto a outro; é uma oportunidade de transformação, aprendizado e conexão. Por isso, não posso deixar de considerar o poder transformador do turismo espacial e o potencial que essas tecnologias podem representar a longo prazo, não apenas para as viagens espaciais, mas também para diversos outros setores.

    Um exemplo claro é o avanço em tecnologias aeroespaciais que podem beneficiar diretamente a vida na Terra. Sistemas de propulsão mais eficientes, desenvolvidos para viagens espaciais, já estão sendo adaptados para tornar aeronaves e veículos terrestres mais sustentáveis. Além disso, as pesquisas realizadas para minimizar o impacto ambiental dos lançamentos podem influenciar positivamente o desenvolvimento de combustíveis mais limpos e renováveis. O turismo espacial, nesse sentido, pode ser uma inovação para inovações que ajudem a equilibrar o progresso e a sustentabilidade.

    Por fim, o turismo espacial veio para ficar, mas o maior desafio será garantir que ele evolua de maneira ética, sustentável e acessível, sem negligenciar o cuidado com o nosso planeta. Cada passo que damos na direção às estrelas deve ser acompanhado de um compromisso ainda maior com a preservação da Terra, pois é ela que nos dá a base para todas as nossas conquistas.

    Ana Macêdo

  • Você acredita que a inteligência artificial está transformando o turismo?

    Você acredita que a inteligência artificial está transformando o turismo?

    A inteligência artificial (IA) tem modificado intensamente o setor de turismo, trazendo novos horizontes para quem viaja e para os profissionais. Hoje, com a possibilidade de oferecer serviços personalizados, a IA não só otimiza processos operacionais, mas também amplia o alcance de experiências adaptadas ao perfil de cada cliente. Essa revolução, estimada para movimentar mais de US$ 1,2 bilhão até 2026, segundo o relatório Travel &Hospitality AI Market Overview da IndustryArc, tem sinalizado como essa tecnologia está ganhando terreno e evoluindo nosso setor.

    Inclusive, essa tendência responde ao desejo crescente por serviços customizados e com menos interações, onde a tecnologia pode intermediar as necessidades do viajante com um toque de agilidade. Imagine a seguinte situação: ao planejar uma viagem, você é guiado por assistentes virtuais e chatbots capazes de responder rapidamente, personalizar pacotes e até finalizar reservas. De acordo com uma pesquisa da Oracle Research, empresa que apoia e acelera as descobertas científicas nos EUA, 92% dos entrevistados consideraram o uso de IA para facilitar o atendimento ao cliente como uma grande vantagem.

    Para o turismo, essa inovação é promissora, e muitos turistas, especialmente brasileiros, já preferem ambientes onde o contato com a equipe seja a mínima possível. Entretanto, o impacto da IA ​​vai muito além do atendimento ao cliente. Ferramentas de aprendizado de máquina e análise preditiva permitem à IA prever demandas e indicar o melhor momento e preço para viagens, além de adaptar sugestões com base nos dados comportamentais de cada cliente. Imagine você poder estar diante de um itinerário sob medida, em minutos, que além de abranger suas preferências de viagem também incorpora dados em tempo real sobre preços e condições de cada destino. Esse poder de personalização é uma das grandes vantagens que a IA trouxe para o turismo.

    Mas, a IA não veio apenas para melhorar a experiência do cliente. Ela também representa um auxílio para o empresário, que ganha eficiência com a automação de tarefas rotineiras como a organização de dados e atendimento básico. Em um mercado competitivo, as empresas que utilizarem essas tecnologias ganharão uma vantagem significativa, permitindo que as equipes foquem em funções mais estratégicas.

    No entanto, eu entendo que ainda há quem veja essas inovações com certa cautela, temendo que a IA substitua o papel do profissional do turismo. Um temor que se assemelha ao que enfrentamos no início da internet. Naquele momento, acreditava-se que os agentes de viagens, por exemplo, perderiam espaço com a facilidade de acesso às informações online. Porém, o tempo mostrou, que a internet fortaleceu a profissão ao enriquecer o leque de ferramentas daqueles profissionais. Assim, também vejo que a IA será uma parceria valiosa, não uma substituta. E mesmo que assuma funções repetitivas e operacionais, ela não possui a sensibilidade, a empatia e o senso de julgamento que só o humano tem.

    Assim, ao refletirmos sobre o papel da IA ​​no turismo, uma coisa é clara: ela está aqui para somar, não para substituir. A tecnologia aprimora, acelera e personaliza as operações, mas a experiência humana, com sua capacidade de perceber nuances e oferecer empatia, permanece insubstituível. Essa é talvez a mensagem final deste artigo: embora a IA transforme e facilite o setor, será sempre o toque do ser humano que fará toda a diferença. Afinal, a tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas a verdadeira essência do turismo é a conexão humana, e essa nunca poderá ser replicada por uma máquina.

    Ana Macêdo

  • Minas Gerais Inspira com Iniciativas Sustentáveis ​​para o Turismo Verde

    Minas Gerais Inspira com Iniciativas Sustentáveis ​​para o Turismo Verde

    O turismo verde tem ganhado relevância no cenário global e representa uma alternativa para quem busca conexão com a natureza, escapando da poluição urbana e promovendo práticas ambientais responsáveis. No Brasil, onde vastos recursos naturais oferecem um potencial único para o ecoturismo, essa modalidade surge como uma oportunidade de desenvolvimento socioeconômico, especialmente em áreas preservadas e comunidades locais. Nesse contexto, Minas Gerais se destaca com o Plano Diretor de Turismo Verde e o Selo Turismo Verde Minas, iniciativas que integram turismo e sustentabilidade e posicionam o estado como um modelo de ecoturismo responsável.

    O conceito de turismo verde baseia-se na “interpretação”, “conservação” e “sustentabilidade”. Essa abordagem permite que os turistas se conectem com o ambiente de forma educativa e responsável, minimizando impactos e promovendo a conscientização ambiental. Segundo o Ministério do Turismo, o ecoturismo valoriza o patrimônio natural e cultural de forma sustentável, incentivando a conservação e promovendo o bem-estar das populações locais. No Brasil, o turismo sustentável beneficia a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico, consolidando o ecoturismo como uma estratégia promissora.

    Minas Gerais deu um passo à frente com a implantação do Plano Diretor de Turismo Verde, lançado em outubro, que propõe um desenvolvimento turístico alternativo às práticas globais de preservação. Fruto do trabalho conjunto entre a Secult-MG, Semad, Seapa e Codemge, o plano visa ações de preservação ambiental e uso consciente dos recursos naturais, financiado com recursos do Acordo de Reparação do Rompimento de Brumadinho. Dessa forma, Minas transforma uma tragédia em um legado positivo para as gerações futuras.

    O plano conta com a participação de 48 Instâncias de Governança Regionais e representantes de diversos setores do turismo e da comunidade, impactando cerca de 370 municípios mineiros. O objetivo é implementar políticas públicas que atendam às demandas locais, respeitando o meio ambiente e promovendo o turismo responsável.

    Complementando o Plano Diretor, o Governo de Minas lançou o Selo Turismo Verde, que certifica empresas e destinos turísticos comprometidos com práticas sustentáveis. Este selo é um diferencial que atrai turistas conscientes e valoriza o compromisso ambiental dos destinos mineiros. Lincoln de Farias, diretor da Codemge, destacou que o selo incentiva estabelecimentos turísticos a implementarem práticas ecologicamente corretas, criando uma “Rota Verde” no estado.

    O selo também atende a uma demanda crescente, pois, segundo pesquisa da Embratur, 95% dos viajantes preferem destinos que preservem a natureza. Assim, o Selo Turismo Verde Minas engaja empresas e turistas na preservação ambiental, fortalecendo a sustentabilidade no setor.

    As iniciativas de Minas Gerais com o Plano Diretor de Turismo Verde e o Selo Turismo Verde demonstram que é possível conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. O estado se destaca ao investir em políticas de turismo sustentável, buscando não apenas o crescimento do setor, mas também a conservação de seus recursos naturais e culturais. O turismo verde atrai turistas conscientes e gera emprego e renda para a população, promovendo um ciclo que beneficia o meio ambiente e a sociedade.

    Minas Gerais mostra que o futuro do turismo depende de um compromisso com a sustentabilidade e a qualidade de vida. O turismo verde é mais do que uma tendência, é um chamado para que todos; turistas, governos e comunidade, preservem a natureza para as gerações futuras.

    Ana Macêdo