O que começou, em 2013, com atendimentos básicos de limpeza e profilaxia realizados com instrumentos manuais ganhou outra dimensão ao longo dos anos. Hoje, a frente de odontologia social do Milagre Sertão, projeto social que atende famílias carentes, reúne equipamentos próprios, materiais cedidos por empresas parceiras e uma equipe de voluntários capaz de montar até quatro cadeiras odontológicas durante cada ação.
Os atendimentos são realizados de sexta-feira a domingo e são abertos a toda a população, sem restrição de idade ou gênero. Em cada edição, entre 60 e 70 pessoas, em média, passam pelo atendimento, que inclui procedimentos como limpeza, extrações, restaurações, tratamento de canal, reabilitação com próteses e odontopediatria.
Para o cirurgião-dentista Vilmar Formiga, que coordena a área de odontologia do projeto, uma ação realizada em 2017 foi um ponto de virada. Em apenas um dia, ele realizou 68 procedimentos cirúrgicos. A experiência fez com que o profissional ampliasse sua atuação e buscasse uma formação mais específica para atender às necessidades encontradas nas comunidades.
Vilmnar se especializou em dentística restauradora e reabilitadora e, desde então, o projeto passou a estruturar as equipes de acordo com as diferentes necessidades clínicas. Os dentistas voluntários são selecionados por especialidade, a partir de editais divulgados nas redes sociais.
Mais ações e acompanhamento de resultados
A expansão da odontologia também aparece no calendário do projeto. Em 2025, foram realizadas três ações. Neste ano, estão previstas quatro, com a próxima edição programada para novembro.
Ao longo da trajetória, o Milagre Sertão já levou atendimento odontológico a mais de 26 municípios da Paraíba e também a cidades de Pernambuco. Em alguns locais, o trabalho deixou de ser uma ação pontual e passou a acompanhar a demanda das comunidades ao longo do tempo.
É o caso de Algodão de Jandaíra, no Curimataú paraibano, onde o projeto atua há cerca de dois anos. Com a demanda do município atendida, os atendimentos passaram a receber também moradores de comunidades vizinhas.
A experiência permitiu à organização reunir dados sobre o alcance e os resultados do trabalho. A intenção é utilizar essas métricas para apresentar o impacto do projeto a empresas e ao poder público e, assim, ampliar as possibilidades de parceria.
Próximo passo pode incluir comunidades quilombolas
A busca por novos territórios também já começou. Em janeiro, representantes do projeto apresentaram a iniciativa ao Ministério dos Povos Indígenas, que mantém programas voltados à ampliação do atendimento odontológico. A proposta em discussão prevê levar a experiência da Milagre Sertão também para comunidades quilombolas.
A possível parceria ainda está em fase de formalização, mas representa uma nova frente de atuação para o projeto, que pretende ampliar o acesso à saúde bucal em regiões onde a oferta de atendimento especializado ainda é limitada.
Criado em 2013, o Projeto Milagre Sertão concentra sua atuação no semiárido paraibano e atende famílias em situação de vulnerabilidade. A organização desenvolve iniciativas nas áreas de saúde, infraestrutura, qualificação profissional e formação cidadã, além de ações assistenciais destinadas a demandas emergenciais.
Formada por voluntários de diferentes áreas, a ONG mantém atualmente sete projetos em andamento e já esteve presente em mais de 20 municípios da Paraíba e de Pernambuco, com mais de cinco mil pessoas atendidas ao longo de sua trajetória.
Mais informações estão disponíveis no site [milagresertao.org] e no Instagram @milagresertao.



