Programa Grau Social oferece oportunidades gratuitas de qualificação em todo o país; inscrições seguem até 24 de julho
A educação como ferramenta de transformação social é o propósito de mais uma edição do Grau Social, programa de responsabilidade social do Grau Educacional, maior rede de ensino técnico e profissionalizante do Brasil. A iniciativa está com inscrições abertas para a oferta de mais de 1.200 bolsas de estudo integrais em cursos técnicos e profissionalizantes distribuídos pelas unidades da instituição em todas as regiões do país.As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 24 de julho, por meio do site www.grausocial.com.br, onde também está disponível o edital completo com todas as regras do processo seletivo.
Em João Pessoa, a unidade vai oferecer bolsas para os cursos técnicos de Administração, Segurança do Trabalho, Eletrotécnica e Informática. Também serão oferecidas vagas em cursos livres nas áreas de Informática e Tecnologia, Administração e Cooperativismo, além de aprimoramento pessoal e profissional.
O programa é voltado para pessoas que desejam se qualificar profissionalmente, mas enfrentam dificuldades financeiras para investir nos estudos. Para participar da seleção, é necessário ter concluído o Ensino Médio ou equivalente por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em escola pública, ter idade mínima de 18 anos, estar desempregado e possuir disponibilidade para frequentar as aulas presenciais e participar das atividades práticas, como visitas técnicas às empresas parceiras.
Além da formação teórica, os estudantes terão acesso a laboratórios especializados, infraestrutura moderna e uma metodologia voltada para a prática profissional, ampliando as oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
“O Grau Social é uma oportunidade concreta de mudar histórias por meio da educação. Sabemos que muitas pessoas têm o desejo de se qualificar, mas encontram dificuldades para dar esse primeiro passo. Nosso compromisso é abrir portas para que esses alunos tenham acesso a uma formação de qualidade e possam conquistar novas oportunidades no mercado de trabalho, contribuindo também para o desenvolvimento da nossa cidade”, explica a gestora da unidade de João Pessoa, Patricia Fernandes.
Os candidatos deverão acessar o site oficial e informar o CPF e a data de nascimento para verificar se foram selecionados nas consultas feitas nos dias 3 de agosto e 9 de agosto de 2026. O resultado final do processo seletivo será divulgado em 9 de setembro de 2026, e o início das aulas está previsto para os meses de setembro e outubro, conforme o calendário de cada unidade.
Serviço Grau Social 2026 Inscrições: até 24 de julho Bolsas: mais de 1.300 bolsas integrais Inscrições e edital: www.grausocial.com.br
Sobre o Grau Educacional
O Grau Técnico, principal marca do grupo, está presente em mais de 140 unidades no Brasil, com mais de 60 cursos nas áreas de saúde, tecnologia, indústria, gestão e negócios, atendendo cerca de 200 mil alunos. O Grau Profissionalizante, fundada em 2015 (anteriormente Nível A), oferece cursos rápidos e práticos, como bombeiro civil, cuidador de idosos, eletricista predial, beleza, gastronomia e informática, capacitando alunos para o mercado de trabalho com eficiência.
Em João Pessoa, a unidade fica localizada na Avenida Princesa Isabel – 141, no Centro. O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h, e aos sábados, de 8h às 16h. Para mais informações, acessem @graup.joaopessoa @grautecnico.joaopessoa ou entre em contato no (83) 99686-3882.
Diretor Financeiro Executivo da Itaipu Binacional participou do painel de abertura do maior fórum ibero-americano sobre transição energética, realizado em João Pessoa
A cooperação entre países, a estabilidade institucional e o planejamento de longo prazo foram apontados como pilares para garantir a segurança energética diante dos desafios da transição para uma economia de baixo carbono. A avaliação foi feita pelo diretor Financeiro Executivo da Itaipu Binacional, André Pepitone, durante sua participação no painel de abertura do EVEx – Energy Virtual Experience Brasil 2026 , realizado nesta terça-feira (1º), no Paço dos Leões, em João Pessoa.
Com o tema ” Pulsar Ibero-Americano: Segurança e Independência Energética na Nova Era da Transição” , o debate reuniu lideranças do setor elétrico brasileiro e internacional, entre elas Alexandre Fernandes, presidente da Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), de Portugal; Alexandre Ramos, presidente da CEMIG; e Gerusa Côrtes, diretora de Operação de Mercado da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A mediação foi conduzida por Maria João Rolim, embaixadora do EVEx.
Ao abrir sua participação, André Pepitone ressaltou o significado pessoal de retornar à Paraíba para discutir os rumos da energia em um encontro internacional.
“Estar hoje em João Pessoa tem, para mim, um significado que vai muito além da participação em mais um evento de energia. Estou na Paraíba, terra da minha família, das minhas referências afetivas e de parte importante da minha identidade. Voltar para discutir o futuro da energia aqui tem um significado muito especial”, afirmou.
O executivo também destacou que acompanhou desde o início, ao lado do fundador do EVEx, Caio Cavalcante, a construção do projeto de trazer o evento para João Pessoa. Segundo ele, a escolha da capital paraibana reflete o protagonismo que o Nordeste vem assumindo na agenda energética mundial.
“Compartilhamos a convicção de que a Paraíba reúne todas as condições para sediar um evento internacional dessa grandeza, pela qualidade de sua infraestrutura, pela força de suas instituições e, principalmente, pelo protagonismo que o Nordeste brasileiro vem assumindo na transição energética. Hoje, ao ver este auditório reunindo autoridades, empresários, reguladores e especialistas de diversos países, tenho a alegria de ver esse sonho concretizado”.
Durante o painel, André Pepitone fez um paralelo entre sua trajetória à frente da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), onde enfrentou momentos como a pandemia da covid -19, a crise hídrica de 2021 e o apagão do Amapá, sua experiência na presidência da Associação Ibero-Americana de Entidades Reguladoras de Energia (ARIAE) e o atual trabalho na Itaipu Binacional.
Segundo ele, essas experiências evidenciaram que os principais desafios do setor ultrapassam fronteiras nacionais.
“Aprendi que, independentemente das diferenças entre os países, os desafios são essencialmente os mesmos: garantir segurança energética, promover uma transição sustentável, atrair investimentos e preservar a modicidade tarifária. Nenhum país enfrenta sozinho os desafios da transição energética”.
Para o diretor da Itaipu, a previsibilidade das regras e a cooperação entre agentes e governos são pilares mais estratégicos do que a tecnologia isolada para assegurar a estabilidade do setor.
“Segurança energética não depende somente de infraestrutura ou de tecnologia. Ela depende de confiança. Confiança nas instituições, na estabilidade das regras e na capacidade de cooperação entre os países. Cooperação, previsibilidade regulatória e planejamento continuam sendo os principais alicerces da segurança energética”.
André Pepitone destacou ainda que a própria Itaipu representa um exemplo concreto dessa integração internacional. Há mais de cinco décadas, Brasil e Paraguai mantêm uma parceria que demonstra como a cooperação pode gerar desenvolvimento, estabilidade e segurança para ambos os países.
“A maior contribuição da Itaipu talvez não seja apenas a energia que produz, mas o exemplo que representa. É a demonstração concreta de que confiança entre nações, estabilidade institucional e visão de longo prazo podem transformar cooperação em desenvolvimento e integração em prosperidade compartilhada”.
Nova fase da Itaipu
Ao longo do debate, o diretor também apresentou iniciativas que marcam o novo ciclo vivido pela Itaipu após a quitação da dívida de construção da usina, concluída em fevereiro de 2023.
Segundo ele, a empresa passa a direcionar esforços para novos investimentos voltados à inovação e à diversificação da matriz energética. Entre os projetos em desenvolvimento estão estudos para ampliação da capacidade instalada da usina, iniciativas na produção de biometano por meio do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) e uma planta-piloto de geração solar flutuante associada a sistemas de armazenamento em baterias.
André Pepitone também destacou que a energia produzida por Itaipu passou a beneficiar ainda mais os consumidores brasileiros. “Hoje, Itaipu é produtora de energia limpa, renovável e uma das fontes mais competitivas do portfólio das distribuidoras brasileiras, contribuindo diretamente para a modicidade tarifária”.
EVEx reúne lideranças internacionais em João Pessoa
Realizado nos dias 1º e 2 de julho, o EVEx Brasil 2026 reúne autoridades, reguladores, empresas e especialistas do Brasil, Portugal, Espanha, Chile e outros países ibero-americanos para discutir os principais desafios da transição energética, inovação, segurança do sistema elétrico e integração entre mercados.
Na abertura do encontro, o CEO e fundador do EVEx, Caio Cavalcante, destacou que trazer o evento para João Pessoa representa o reconhecimento do protagonismo que a Paraíba e o Nordeste conquistaram na nova economia da energia. O executivo também agradeceu publicamente o apoio de André Pepitone para que a edição brasileira fosse realizada na capital paraibana.
Especialista alerta que novas regras do ECA Digital reforçam a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online
Fotos de alunos em redes sociais, vídeos promocionais, folders de matrícula e campanhas publicitárias são práticas comuns no dia a dia de muitas instituições de ensino. No entanto, o uso da imagem de crianças e adolescentes sem autorização específica dos pais ou responsáveis pode trazer sérias consequências jurídicas para escolas e cursos, incluindo indenizações por danos morais e sanções administrativas.
O alerta é do advogado Vladimir Miná, sócio do escritório Miná & Alves Advocacia e especialista em Direito Educacional, que chama atenção para as mudanças trazidas pelo ECA Digital e para a necessidade de adequação das escolas às novas regras de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
“As escolas e os cursos, as instituições de ensino, precisam estar atentos às alterações na legislação do Estatuto da Criança e do Adolescente, principalmente às regras do ECA Digital. A Lei nº 15.211, de 2025, trouxe uma série de proteções que exigem vigilância obrigatória por parte das instituições. O uso da imagem de crianças e adolescentes nas escolas terá que passar por critérios mais rigorosos para evitar problemas futuros com a Justiça”, explica.
Segundo o especialista, um dos principais equívocos cometidos pelas instituições é acreditar que uma autorização genérica assinada no ato da matrícula é suficiente para qualquer tipo de divulgação.
“Não basta ter uma cláusula genérica no contrato escolar. Quando a imagem do aluno for utilizada em campanhas de marketing, anúncios patrocinados, vídeos promocionais ou ações de captação de matrículas, é necessário que haja uma autorização específica, clara e destacada, informando a finalidade, os canais de divulgação e o período de utilização”, destaca Vladimir Miná.
A legislação diferencia o uso pedagógico da imagem, destinado a atividades internas da escola, do uso institucional e, principalmente, do uso publicitário. Quanto maior a exposição e a finalidade comercial da publicação, maior o cuidado exigido.
Além das redes sociais, a regra também vale para folders, outdoors, vídeos institucionais, anúncios digitais e qualquer material promocional que utilize a imagem de crianças e adolescentes de forma identificável.
Outro ponto de atenção é que os responsáveis podem revogar a autorização concedida anteriormente, obrigando a instituição a interromper novas divulgações e remover conteúdos sob seu controle.
Para Vladimir Miná, mais do que uma obrigação legal, a adequação às novas normas representa um compromisso com a proteção integral dos estudantes.
“A imagem da criança é um direito fundamental protegido pela Constituição Federal, pelo ECA e pela Lei Geral de Proteção de Dados. A escola precisa compreender que cada foto ou vídeo de um aluno deve ser tratado com responsabilidade, planejamento e respeito aos direitos da família”, destaca.
Com a intensificação da presença digital das instituições de ensino e o aumento das campanhas de marketing voltadas para matrículas e rematrículas, especialistas recomendam que escolas revisem suas políticas de uso de imagem, mantenham registros das autorizações concedidas e busquem orientação jurídica antes de utilizar conteúdos envolvendo menores de idade.
Evento gratuito acontece na Praça Dom Adauto, reunindo atrações paraibanas, ações culturais e incentivo ao turismo no Centro Histórico da capital
O Centro Histórico de João Pessoa será palco, no próximo dia quatro de julho, do Forrozão das Muriçocas 2026, evento cultural que marcará as comemorações dos 40 anos das Muriçocas do Miramar e o encerramento das festividades juninas na Paraíba. Com acesso gratuito, a programação acontecerá a partir das 17h, na Praça Dom Adauto, reunindo artistas paraibanos, apresentações culturais e ações voltadas à valorização da cultura popular nordestina.
A iniciativa e realização é da Inove Eventos, empresa especializada na criação e execução de grandes eventos, em parceria com as Muriçocas do Miramar. A proposta é fortalecer o calendário cultural da capital paraibana, ampliar o acesso da população às manifestações artísticas populares e estimular o turismo cultural no Centro Histórico de João Pessoa.
Todas as imagens são dos acervos dos artistas
Além do Mestre Fúba, entre as atrações confirmadas estão Ananias do Acordeon, Capilé, Gitana Pimentel, Deusa do Forró, Ton Oliveira, Irah Caldeira, Banda Seu Januário e Jader Finamore, reunindo diferentes gerações da música nordestina em uma programação dedicada ao forró e às tradições juninas.
Segundo Gustavo Motta, sócio-diretor da Inove Eventos, o projeto nasce com o propósito de fortalecer uma manifestação cultural já consolidada no imaginário dos paraibanos. “O Forrozão das Muriçocas foi concebido para celebrar uma tradição que faz parte da identidade cultural da Paraíba. Nosso objetivo é oferecer um evento acessível, com forte presença da cultura popular, valorizando artistas locais e contribuindo para a ocupação cultural do Centro Histórico de João Pessoa”, destacou.
Para Júlio Leal, sócio da Inove Eventos, a iniciativa também possui impacto econômico e turístico para a cidade. “Além do aspecto cultural, o evento movimenta a economia criativa, gera oportunidades para artistas, técnicos, artesãos e pequenos empreendedores, ao mesmo tempo em que reforça João Pessoa como destino de turismo cultural durante o período junino”, disse.
O fundador e presidente do Bloco Carnavalesco Muriçocas do Miramar, Flávio Eduardo, o Mestre Fúba, destaca que a celebração representa mais um capítulo na história do Bloco, que ao longo de quatro décadas se consolidou como uma das mais expressivas manifestações culturais da Paraíba. “As Muriçocas completam 40 anos de história promovendo cultura, inclusão e participação popular. O Forrozão chega para ampliar nosso legado, valorizando o forró, nossas tradições e proporcionando um grande encontro entre moradores, visitantes e amantes da cultura nordestina,” revelou.
Forrozão Muriçocas divulgação
O evento também prevê ações de acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, incentivo à economia criativa, participação de artesãos e empreendedores locais, além de campanha solidária para arrecadação de alimentos destinados a instituições beneficentes.
A organização estima que a iniciativa contribua para fortalecer o turismo cultural, ampliar a circulação de visitantes no Centro Histórico e gerar oportunidades para trabalhadores e empreendedores ligados ao setor cultural e turístico.
O Forrozão das Muriçocas é uma realização da Inove Eventos em parceria com o Bloco Muriçocas de Miramar, com o patrocínio do Governo da Paraíba através da Secretaria de Estado da Cultura.
SOBRE A INOVE EVENTOS
A Inove Eventos é uma empresa especializada no planejamento, produção e execução de eventos culturais, festivos e corporativos, atuando na criação de experiências voltadas à valorização da cultura, do entretenimento e do desenvolvimento econômico por meio de grandes eventos.
SOBRE AS MURIÇOCAS DE MIRAMAR
As Muriçocas de Miramar é um dos maiores blocos de arrasto pré-carnavalescos do Brasil. Fundado em 1986 em João Pessoa, o projeto arrasta multidões na tradicional “Quarta-Feira de Fogo”. O desfile patrimônio da Paraíba une frevo, axé e ritmos locais na famosa Avenida Epitácio Pessoa. Sob o comando do Mestre Fúba, o bloco exalta a rica identidade cultural paraibana.
SERVIÇO
Evento: Forrozão das Muriçocas 2026 Data: 04 de julho de 2026 Horário: A partir das 17h Local: Praça Dom Adauto – Centro Histórico de João Pessoa (PB) Entrada: Gratuita Siga no instagram: @forrozaodasmuricocas
Assessoria *Todas as imagens são do acervo pessoal dos artistas
Crescimento do consumo, expansão imobiliária, turismo e fortalecimento industrial consolidam a região como um dos principais motores do setor moveleiro brasileiro
O mercado moveleiro nordestino atravessa um dos momentos mais relevantes de sua história recente. Sustentada pelo crescimento da construção civil, pela expansão do turismo, pela valorização imobiliária e por uma mudança demográfica que vem atraindo novos moradores para a região, a indústria de móveis passou a ocupar um espaço cada vez mais estratégico na economia nordestina. Os números ajudam a dimensionar essa transformação.
Segundo levantamento do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), a Paraíba registrou crescimento de 205% na produção de móveis entre 2019 e 2024, o maior avanço do Nordeste e um índice mais de 13 vezes superior à média regional, que ficou em 15,7% no período. O estado também liderou o crescimento nacional no consumo de móveis e colchões, com alta de 11,2%, enquanto a média brasileira foi de 5,8%.
Para Marcelo Prado, sócio-diretor do IEMI – Inteligência de Mercado, os dados macroeconômicos e as pesquisas setoriais mais recentes comprovam esse fenômeno de descentralização e amadurecimento comercial.
“O Nordeste vem apresentando uma evolução consistente tanto no consumo quanto na produção de móveis. O que observamos é uma combinação de crescimento econômico regional, expansão imobiliária e fortalecimento da capacidade produtiva local. Estados como a Paraíba passaram a desempenhar um papel cada vez mais relevante dentro da cadeia moveleira nacional”.
Ao mesmo tempo, a população continua crescendo. De acordo com o IBGE, João Pessoa alcançou 833.932 habitantes no Censo de 2022, crescimento de 15,26% em relação a 2010, tornando-se a capital nordestina que mais cresceu proporcionalmente no período. A estimativa para 2025 apontou uma população próxima de 898 mil habitantes. Em todo o estado, a população paraibana chegou a 4,16 milhões de pessoas.
O avanço populacional impulsiona o mercado imobiliário local. Dados agregados do Índice Creci 360° apontam uma alta acumulada de 87,5% no número de unidades vendidas em João Pessoa e Cabedelo ao longo de 2025.
Na avaliação de Marcelo Prado, o crescimento da população, o ritmo forte das construtoras e a chegada de novos moradores com maior renda criam um cenário ideal e lucrativo para os fabricantes de móveis e decoração.
“João Pessoa é um caso particularmente interessante porque reúne diversos fatores que impactam diretamente o setor. Existe crescimento populacional acima da média, forte expansão imobiliária, aumento da atração de moradores de outras regiões e uma busca crescente por qualidade de vida. Tudo isso gera demanda por novos imóveis e, consequentemente, por mobiliário”.
Vetor local e atração de investimentos
Para Adeilton Pereira, vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL) e sócio-diretor do Grupo OFFICINA, o salto produtivo das indústrias moveleiras locais reflete uma engrenagem econômica muito mais robusta.
“O que explica esse crescimento tão significativo da produção de móveis na Paraíba é o desenvolvimento das indústrias locais, puxado pelo desenvolvimento do turismo e da construção civil no estado como um todo, mas principalmente em João Pessoa”, avalia.
Segundo ele, a quebra de antigos estigmas geográficos abriu espaço para uma leitura realista sobre a competitividade regional, o que atraiu olhares de investidores atentos à diversificação econômica e à sustentabilidade de novos projetos comerciais.
“Hoje, percebemos exatamente o oposto do passado: pessoas dos grandes centros buscando qualidade de vida no Nordeste. Muitos vêm em fase de aposentadoria, outros procuram mais tranquilidade, e há também os nômades digitais, que conseguem atuar em grandes mercados.”
Construção civil, turismo e novos investimentos ampliam demanda
A expansão do mercado imobiliário paraibano ocorre paralelamente a um ciclo histórico de investimentos turísticos. Dados da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep) posicionam o Polo Turístico Cabo Branco como o hub de uma transformação sem precedentes, concentrando alguns dos projetos de maior relevância em desenvolvimento no Brasil.
“O Polo Turístico Cabo Branco é um produto diferente no Nordeste. Além de sol e mar, o complexo está cercado pela maior reserva de Mata Atlântica da Paraíba. O Centro de Convenções é o maior do Nordeste e já temos 15 mil leitos e quatro parques temáticos contratados”, afirma Rômulo Polari, presidente da Cinep, durante o Sindepat Summit 2026, realizado em Lisboa.
Esse movimento amplia a demanda por mobiliário e fortalece a indústria moveleira regional, que passa a atender uma parcela cada vez maior dos empreendimentos residenciais, hoteleiros e corporativos em desenvolvimento no Nordeste.
Para a diretora-executiva da ABIMÓVEL, Cândida Cervieri, o fortalecimento dos centros regionais é um movimento estratégico para reduzir custos logísticos, otimizar operações e aumentar a competitividade das empresas nordestinas.
“Móveis e colchões são produtos de grande volume físico, com custo logístico relevante. Por isso, a presença de polos regionais no Nordeste ajuda a explicar o desenvolvimento da região e amplia sua competitividade dentro do mercado brasileiro.”
Consumidor busca personalização, funcionalidade e identidade
O crescimento econômico vem sendo acompanhado por mudanças importantes no comportamento de consumo. Para Cândida Cervieri, a reconfiguração dos lares modernos após a consolidação de modelos de trabalho híbridos alterou profundamente a relação emocional e prática dos indivíduos com o mobiliário.
“Em ambientes menores, mais integrados ou que precisam cumprir muitas funções, o mobiliário assume o protagonismo e passa a organizar a vida dentro de casa. Isso desloca parte da decisão de compra de uma lógica puramente transacional para uma lógica de projeto, valor e experiência”.
Para ela, a valorização da identidade local tornou-se uma das principais características do design brasileiro contemporâneo. “Hoje existe uma percepção mais madura de que a identidade regional pode ser contemporânea, elegante, funcional e competitiva. O repertório nordestino conversa muito bem com a agenda contemporânea do design porque nasce do território, do clima, da cultura e da vida cotidiana”.
Indústria regional amplia escala e capacidade produtiva
O fortalecimento da indústria paraibana também vem sendo acompanhado por investimentos em tecnologia, automação e profissionalização dos processos produtivos. Adeilton Pereira destaca que o estreitamento dos laços comerciais entre as grandes construtoras e o chão de fábrica local eliminou a antiga dependência de fretes distantes e aumentou a velocidade de entrega dos projetos.
“Hoje, temos uma cadeia de produção sob medida na própria região, voltada diretamente para atender às demandas de grandes construtoras e incorporadoras. Antes, eles precisavam buscar fornecedores no Sul do país e tinham pouco contato com as indústrias. Agora existe proximidade, troca constante e capacidade de adaptação muito mais rápida”, afirma.
Esse cenário tem favorecido a expansão de indústrias especializadas em móveis sob medida e com capacidade para atender diferentes frentes do mercado. É o caso da ESSANTO, fabricante nordestina que desenvolve soluções para lojas parceiras, construtoras, incorporadoras, hotéis, hospitais e empreendimentos corporativos, levando escala industrial, tecnologia e personalização para diferentes perfis de clientes.
“A ESSANTO nasceu na Paraíba, mas já atua em oito estados da região Nordeste e pretende fechar os nove estados em breve. Nossa atuação acontece tanto por meio de parceiros comerciais que levam nossos produtos ao consumidor quanto no atendimento direto a grandes empreendimentos. Temos experiência, tecnologia, capacidade produtiva e uma logística facilitada por estarmos na própria região. Precisamos apenas que o mercado conheça mais essa capacidade produtiva do Nordeste”.
Expansão e tendências industriais
O avanço fabril e comercial ganha respaldo com indicadores sólidos de mercado. Guilherme Brito, diretor administrativo da Móveis São Carlos, empresa sediada em Pernambuco, detalha esse cenário de atração de novos investimentos e descentralização econômica, que gera empregos e altera dinâmicas sociais históricas.
Para manter a relevância no mercado, a flexibilidade fabril para absorver as transformações rápidas de design e comportamento torna-se essencial. Guilherme aponta que acompanhar essa evolução estética é o caminho para suprir as novas demandas do público e fortalecer a própria indústria regional.
“Nós observamos, dentro do nosso leque de produtos, quais necessidades do consumidor estamos deixando de suprir para eliminar esses gaps. As tendências vão e vem de uma forma interessante: o consumidor adquire móveis muito retos, agora vemos mais formas arredondadas. Participar da evolução da nossa região é formidável, o Nordeste é peça fundamental para o futuro da indústria nacional”, ressalta.
Design regional enfrenta gargalos mas ganha espaço
O fortalecimento da criação nordestina ocorre em paralelo a um severo choque de realidade estrutural. Representando a operação baiana da Tidelli Outdoor Living, a sócia Roberta Mandelli detalha que o setor enfrenta uma complexidade operacional considerável no ambiente atual da região, o que exige resiliência por parte das empresas locais.
“Apesar dos entraves, o Nordeste tem apresentado um design regional que está ganhando espaço, tanto no Brasil como fora. A região se autoconsome, devido ao crescimento das cidades e do turismo, e a demanda aumenta proporcionalmente ao crescimento imobiliário.”
A empresária identifica uma forte guinada no comportamento do público comprador, que passa a valorizar a ancestralidade e a exclusividade na composição dos ambientes. Para atender a essa exigência por refinamento técnico e customização, o monitoramento de mercado precisa ser rigoroso e contínuo.
“A grande trend da decoração atual é o resgate de valores, de tradição, memórias afetivas, e isto acaba gerando um consumo regional maior, uma valorização do feito à mão, de materiais naturais, o que aumenta o consumo por uma produção artesanal. A pesquisa de comportamento é constante, tendências mundiais e nacionais sempre são observadas, pois nós valorizamos design, qualidade e tendência”, comenta Roberta.
O desafio é fortalecer a percepção de mercado
Embora o setor reconheça os avanços conquistados, ainda existe o desafio de estabelecer nacionalmente a percepção sobre a capacidade industrial nordestina. Adeilton Pereira avalia que o nível de automação, os selos de qualidade e o padrão de acabamento das fábricas nordestinas atuais não possuem qualquer desvantagem técnica em relação aos centros tradicionais localizados nas regiões Sul e Sudeste.
“O Nordeste sempre teve uma identidade muito forte. O que mudou foi que começamos a expor essa identidade ao mundo. Levamos um pedacinho da Paraíba para eventos internacionais e mostramos que somos capazes tanto quanto qualquer outro polo produtor.”
Para o executivo, as marcas que pretendem liderar as próximas décadas precisam adotar posturas corporativas humanizadas, focadas na governança socioambiental e no bem-estar de toda a sua rede de profissionais, parceiros e clientes.
“Nosso papel é evoluir continuamente para atender às novas exigências e superar as expectativas dos clientes com entregas de alto padrão ”, afirma.
Na avaliação de Adeilton, a superação de visões defasadas sobre o mercado e a ampla divulgação da maturidade fabril do Nordeste são fundamentais para o atual momento do setor. “A capacidade produtiva nós já temos. O que precisamos agora é que o mercado perceba que o Nordeste mudou e que hoje possui estrutura, tecnologia e competitividade para atender sua própria demanda com excelência”, defende Adeilton.