Categoria: Destaques

  • O impacto do guia na satisfação e fidelização do turista

    O impacto do guia na satisfação e fidelização do turista

    O guia de turismo é peça-chave para o sucesso da experiência turística. Mais do que acompanhar visitantes, ele representa o destino, traduz culturas e garante segurança e acolhimento. Por isso, é importante entender que o guia exerce influência direta na satisfação do turista e, consequentemente, na sua fidelização. Um visitante bem conduzido não apenas aproveita melhor a viagem, como também recomenda o destino e planeja voltar.

    Em Xangai, na China, o desempenho dos guias foi identificado como fator central na avaliação positiva de pacotes turísticos (Journal of Travel Research, 2019). Já em Taiwan, um estudo revelou que falhas no trabalho do guia causam impactos negativos desproporcionais na satisfação do turista, enquanto uma atuação de excelência eleva a experiência a outro patamar (Tourism Management, 2021).

    No Brasil, esse impacto ganha contornos ainda mais fortes porque a profissão é regulamentada pela Lei 8.623/1993, que estabelece a exclusividade dos guias para informar, orientar e conduzir visitantes em atrativos turísticos (Planalto, 1993). Essa base legal reforça a importância do guia como responsável direto pela qualidade percebida e pela segurança da experiência turística.

    Estudos ainda mostram que a satisfação do turista é determinante para a lealdade. Segundo uma meta-análise publicada na Tourism Review, visitantes satisfeitos têm maior propensão a recomendar o destino, repetir a experiência e se tornarem fiéis à marca ou local visitado (Emerald Insight, 2020).

    Comportamentos específicos reforçam essa conexão. A escuta ativa aumenta a confiança do visitante, a conduta ética fortalece a imagem do destino e a qualidade da narrativa cultural transforma a viagem em uma experiência autêntica. Em outras palavras, quando o guia entrega excelência, ele não apenas melhora a estadia, mas também cria vínculos duradouros entre o turista e o destino.

    Apesar dos avanços, muitos destinos turísticos de massa ainda subestimam o papel do guia. A pressa em padronizar roteiros compromete a experiência e reduz o potencial de fidelização. Além disso, o setor exige capacitação contínua, envolvendo idiomas, técnicas de mediação cultural, uso de tecnologia, segurança e práticas sustentáveis.

    Iniciativas como a We Guide Academy, que oferece microlearning (microaprendizagem) para guias e condutores, mostram caminhos promissores. Elas colocam o profissional no centro da experiência turística e ajudam o Brasil a se alinhar às tendências globais de personalização e qualidade.

    Se a satisfação e a fidelização do turista dependem do guia, não há dúvidas: investir nesse profissional é investir no futuro do turismo. É preciso valorizar sua atuação, criar políticas de capacitação e medir a qualidade do serviço prestado.

    No fim, mais do que hotéis, paisagens ou restaurantes, o que o visitante leva na memória é a forma como foi recebido e conduzido. O guia é o rosto do destino. Reconhecer isso é transformar o turismo em uma experiência mais humana, sustentável e competitiva.

    Ana Macêdo

  • Startups que estão reinventando o turismo

    Startups que estão reinventando o turismo

    O turismo está diante de um ponto de virada. A forma de viajar mudou, e com ela surge um novo ecossistema de soluções digitais que vai muito além de hospedagem e passagens. Eu tenho dito que são as startups que estão reinventando o turismo, conectando experiências, qualificando profissionais e trazendo inovação para um setor que ainda convive com práticas tradicionais.

    Nos últimos anos, o mercado internacional já deu sinais claros dessa transformação. Plataformas como Klook, onde se encontra ofertas de planejamento de viagens e reservas, que recentemente captou US$ 100 milhões para expandir operações fora da Ásia, mostram que as atividades e experiências locais são hoje um dos setores mais atrativos para investidores. O mesmo acontece com o Airbnb, que vem ampliando seu portfólio de experiências exclusivas e curadas. Esses movimentos confirmam que o futuro do turismo está cada vez mais ligado ao conteúdo cultural, à personalização e à tecnologia aplicada às vivências.

    No Brasil, esse movimento ganha força com iniciativas alinhadas às pautas globais de inovação, sustentabilidade e impacto social. Programas como o EmbraturLAB, o Sebrae Startups e desafios internacionais lançados pela UN Tourism mostram que há espaço para escalar ideias que tragam soluções para problemas reais: desde a gestão do fluxo de visitantes até a redução da pegada de carbono.

    É nesse contexto que surge a We Guide, exemplo nacional de como uma startup pode transformar o setor. Criada inicialmente como projeto Guia de Turismo em Rede, a startup hoje está sendo validada como plataforma que conecta guias e condutores de turismo diretamente a clientes. O diferencial está na visão de longo prazo: além de aproximar profissionais e turistas, a We Guide oferece a We Guide Academy, espaço de microaprendizagem contínua em áreas como comunicação, marketing, línguas, segurança, personalização de roteiros, sustentabilidade e ESG. O objetivo é claro: fortalecer a carreira desses profissionais e elevar a qualidade da oferta turística no país.

    A inovação da We Guide não está apenas no uso da tecnologia, mas na forma como valoriza o capital humano do turismo. Em um mercado muitas vezes marcado pela intermediação excessiva, a startup aposta em dar voz e protagonismo ao guia, transformando-o em criador de experiências autorais. Isso aproxima o Brasil de tendências globais e, ao mesmo tempo, atende às demandas locais por inclusão produtiva, valorização da cultura e impacto social positivo.

    Entretanto, é preciso reconhecer que ainda há um abismo entre o discurso e a prática. Muitos destinos turísticos de massa pouco falam em sustentabilidade ou em qualificação da experiência cultural. Nesse cenário, startups como a We Guide cumprem um papel de ruptura, mostrando que é possível inovar sem perder o foco na essência: o encontro entre pessoas, culturas e histórias.

    Por isso reafirmo minha posição: são as startups que estão reinventando o turismo, porque conseguem enxergar onde estão os gargalos e propor soluções ágeis, escaláveis e de impacto. O futuro do setor não será construído apenas por grandes players globais, mas também por iniciativas locais que dão visibilidade a profissionais, comunidades e destinos. Cabe a nós decidirmos se vamos assistir à mudança de longe ou vamos participar ativamente dessa transformação.

    Ana Macêdo

  • Abrajet-Pb realiza reunião ordinária e discute projetos e temas que serão levados ao Congresso Nacional

    Abrajet-Pb realiza reunião ordinária e discute projetos e temas que serão levados ao Congresso Nacional

    Os membros da Associação Brasileira de Jornalista de Turismo – Abrajet, reunidos nesta quarta-feira (10), em mais uma reunião ordinária, no salão Tabajara do Hardman Praia Hotel, no bairro de Manaíra, para deliberar a respeito vários temas de interesse da entidade, em especial, sobre o Congresso Nacional da Abrajet, que acontecerá no final deste mês de setembro, em Maceió, Alagoas.  

    Conduzido pelo presidente, jornalista José Vieira Neto, o encontro trouxe várias novidades para as atividades da Abrajet-Pb, que já às vésperas de completar seus 40 anos de existência, consolida-se como vetor de indução ao debate sobre as ações do turismo da Paraíba no olhar da comunicação, fomentando as iniciativas e os projetos que elevam e dinamizam o desenvolvimento dessas atividades no Estado. No Hardman Praia os abrajetianos foram recepcionados pela gerente de eventos Karolla Ferreira e o Cheff Felipe Bandeira.

    Ao lado da jornalista Rosa Aguiar, que secretariou o encontro, Vieira Neto fez um balanço das ações que têm ampliado o trabalho da Abrajet. Destacou a importância do Podcast “Simbora”, que tem levado às redes sociais entrevistas com personalidades do segmento no Estado, sendo assim uma oportunidade para conhecer as ações dos mais variados setores. Essa idéia passará a ser reforçada com o lançamento do projeto Roda de Conversa, que no mesmo interesse público e social, ampliará o debate sobre questões que envolvem nossa estrutura em busca de um turismo sustentado. Nesse sentido, a mobilidade urbana de João Pessoa, diante de seu exponencial crescimento, deverá ser tema para o debate.

    A Abrajet Paraíba é uma entidade sem fins lucrativos, mas que congrega profissionais, jornalistas comprometidos com a melhoria da indústria do turismo paraibano, seguindo seu propósito e objetivo, a partir das diretrizes da Abrajet Nacional, que tem impulsionado as iniciativas propostas pela entidade local. Durante a reunião, foram muitas as iniciativas, que deverão ser implementadas nos próximos dias, especialmente nesse momento importante da entidade, que, juridicamente, se credenciou para contribuir com os projetos fomentadores do turismo por meio de convênios e cursos.      

    Nessa nova realidade, a Abrajet busca novas fronteiras, e segue com novos projetos. O vice-presidente da Abrajet, jornalista Romero Rodrigues, trouxe as experiências de Campina Grande no campo do turismo, e mostrou iniciativas que destacam aquela cidade, razão pela qual, os membros da Abrajet já projetam a realização da próxima reunião ordinária em Campina Grande, oportunidade para se fazer um  city tour.

    O presidente José Vieira encerrou a reunião com os informes sobre o Congresso Nacional. Estiveram presentes à reunião os abrajetianos Romero Rodrigues, Ruth Avelino, Rosa Aguiar, Tereza Duarte, Ivan Trevas, Hermes de Luna, Thereza Madalena, Georgina Luna, Naná Garcez, Genésio Souza, Gerardo Rabello e Saulo Barreto.

    Abrajet/PB – 10/09/2025

  • O guia de turismo e a missão de conectar pessoas de diferentes culturas

    O guia de turismo e a missão de conectar pessoas de diferentes culturas

    Desde sempre, viajar significa mais do que conhecer lugares. É um encontro com o outro. Nessa jornada, o guia de turismo assume um papel essencial, atuando como ponte entre culturas. Defendo que, hoje, mais do que nunca, o guia é um agente de conexão, capaz de transformar turismo em uma experiência intercultural. Ele não é apenas em observador superficial.

    Pesquisadores apontam que o guia desempenha a função de mediador e de educador cultural, facilitando o entendimento do visitante sobre tradições, história e identidade dos destinos. Ele não apenas apresenta pontos turísticos; ele interpreta, contextualiza e gera empatia. Um estudo publicado pelo Instituto Federal de Sergipe mostra que o guia “é elemento fundamental na formação de experiências culturais significativas, funcionando como tradutor simbólico entre visitantes e comunidades”.

    Pesquisas internacionais também reforçam essa tese. Em Cappadocia, na Turquia, visitantes que reconheceram a competência cultural dos guias relataram níveis significativamente maiores de satisfação geral, intenção de recomendar e vontade de retornar. O estudo, publicado na Tourism Management, principal revista acadêmica com foco na gestão, incluindo planejamento e políticas, de viagens e turismo, concluiu que “a qualidade da mediação cultural influencia diretamente a experiência turística”.

    No Brasil, há exemplos que materializam essa visão. Em Paraty RJ e Ubatuba SP, comunidades indígenas e quilombolas criaram iniciativas de turismo de base comunitária, nas quais os próprios guias locais compartilham histórias, saberes tradicionais, música e práticas agroecológicas. A Rede Nhandereko, que promove nos territórios um turismo valoriza e protagoniza o modo de vida tradicional, mostra como indígenas e afrodescendentes podem narrar sua própria história para visitantes, gerando empoderamento cultural e renda. Como destacou o jornal El País, “o turismo ancestral na costa brasileira é ferramenta para que indígenas e afros contem sua própria história”.

    O valor dessa abordagem vai além da estadia, porque constrói memória, pertencimento e compreensão. Um guia que narra sua própria cultura ou que, com sensibilidade, interpreta a cultura alheia, atua como mediador entre mundos distintos. Esse papel fortalece a construção de um turismo respeitoso, educativo e transformador.

    No entanto, a conexão cultural continua longe de ser padrão nos roteiros de massa. Vivemos uma dissonância entre o discurso colorido sobre turismo cultural e a realidade de itinerários rápidos e superficiais. A pergunta que deixo aqui é direta: estamos valorizando esse papel do guia como elo entre culturas ou persistimos num formato que padroniza experiências, mas enfraquece identidades?

    Concluo este artigo reafirmando minha convicção: o guia de turismo é um agente cultural com poder de transformação social. Ele pode, e deve, ser protagonista na promoção do respeito, da diversidade e da troca cultural. Um guia de turismo que valoriza essa mediação constrói pontes entre povos. E essa, sem dúvida, é a sua maior missão.

    Ana Macêdo

  • Tecnologias de baixo impacto para preservar o turismo sustentável

    Tecnologias de baixo impacto para preservar o turismo sustentável

    A sobrevivência do turismo depende da forma como lidamos com a natureza. Se a atividade não se alinhar às práticas sustentáveis, atrativos que hoje encantam podem desaparecer. O que estou tratando aqui é simples: são as tecnologias de baixo impacto que podem assegurar o futuro do turismo sustentável, combinando conservação ambiental e experiência de qualidade para o visitante.

    É preciso reconhecer que a sustentabilidade no turismo não está apenas em discursos, mas em ações práticas. E essas ações passam por soluções acessíveis, replicáveis e eficientes. O Brasil já acumula exemplos valiosos. Em Bonito no Mato Grosso do Sul, o controle por meio de vouchers digitais limita o número de visitantes em rios e cavernas, garantindo a integridade dos ecossistemas. Em Fernando de Noronha, o agendamento online para trilhas e piscinas naturais regula a entrada de turistas em áreas sensíveis. São tecnologias simples, mas que fazem diferença na preservação.

    Outro campo fundamental é a infraestrutura leve. Passarelas elevadas, decks de observação e trilhas sinalizadas reduzem erosão e protegem a vegetação. É a prova de que não é necessário transformar a paisagem com grandes obras para oferecer segurança e conforto ao visitante. Da mesma forma, o transporte interno em parques pode migrar para modelos limpos. O Parque Nacional do Iguaçu já opera ônibus híbridos e vem testando veículos elétricos, um avanço que reduz ruídos e emissões de carbono em um dos destinos mais visitados do país.

    Na hospedagem, multiplicam-se soluções inspiradoras. Hotéis Lodges como o Juma Amazon na Floresta Amazônica e o Cristalino no Mato Grosso utilizam energia solar, biodigestores e sistemas de reaproveitamento de água, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e evitando a contaminação de rios. Além disso, destinos como Fernando de Noronha proibiram plásticos descartáveis, uma medida que exige adaptação de visitantes e comerciantes, mas que elimina toneladas de resíduos ao longo dos anos. Nos ambientes costeiros, iniciativas como as boias de amarração em Abrolhos mostram que pequenas intervenções podem evitar danos irreversíveis aos corais.

    Esses exemplos revelam que o turismo sustentável não precisa de megainvestimentos, mas de visão e planejamento. As tecnologias de baixo impacto têm a vantagem de serem replicáveis em diferentes realidades, desde destinos de ecoturismo até cidades históricas. No entanto, surge a indagação: o que estamos, de fato, fazendo para que o turismo minimize seus impactos? Muito se fala em sustentabilidade, os discursos são inspiradores, mas, na prática, em destinos turísticos de massa raramente esse tema ocupa o centro das decisões. Falta vontade política, engajamento do trade e coragem para transformar boas práticas em regra, e não em exceção.

    Concluo reforçando que o turismo só será verdadeiramente sustentável quando gestores, empresários e turistas compreenderem que preservar não é custo, mas investimento. As tecnologias de baixo impacto já provaram sua eficiência e devem ser adotadas como regra, não como exceção. Afinal, um destino só se mantém atrativo se conservar a sua essência. O desafio não é técnico, mas de decisão: escolher entre o imediatismo ou a permanência de um turismo que resista ao tempo.

    Ana Macêdo