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  • Abrajet promove reunião do Conselho Nacional em Piranhas-AL: confira programação completa

    Abrajet promove reunião do Conselho Nacional em Piranhas-AL: confira programação completa

    Evento acontece entre os dias 28 e 31 de maio e conta com uma programação imersiva nos encantos da região

    No fim de maio, os jornalistas de turismo têm um encontro marcado com uma pepita do sertão. Piranhas, em Alagoas, receberá a primeira reunião de 2026 do Conselho Nacional da Abrajet composto por Diretoria Executiva, os diretores regionais, os presidentes de seccionais e dos ex-presidentes nacionais (conselheiros natos).

    Entre proposições, aprovações de projetos e confraternizações, os convidados terão oportunidade de conhecer uma cidade à beira-rio que conserva sua história, valoriza sua cultura e, atualmente, vive um boom turístico com amplos investimentos e destaque na mídia.

    “Esperamos que o encontro ocorra em clima de harmonia e com aprovação de projetos importantes para o fortalecimento da entidade, que é de grande importância para promoção da indústria do turismo, através da comunicação”, afirma Luiz Pires, presidente da Abrajet Nacional.

    Já o presidente da seccional da Abrajet em Alagoas, declarou sua satisfação com a realização da reunião do Conselho Nacional da Abrajet no estado.  “Como presidente (da seccional) fico muito feliz com a certeza de trazer mais brilho para o nosso estado com a Abrajet Nacional vindo para cá. Com a reunião do Conselho Nacional vamos poder destacar, dessa vez, não só Maceió, que vai ser a porta de entrada de todos os conselheiros em nosso estado – onde ficarão hospedados nas praias da Pajuçara, da Ponta Verde, da Jatiúca. Posteriormente seguirão para nossa encantadora Piranhas, conhecida como a “Lapinha do Sertão”, onde temos muitos atrativos a serem explorados por todos. E o Brasil, mais uma vez, vai ter a certeza de que Alagoas é linda do litoral ao sertão”, destacou.

    O secretário de Cultura e Turismo de Piranhas, Eduardo Clemente, disse: “será uma honra mostrar aos conselheiros da Abrajet Nacional nossa cultura, nossa história e a força da economia criativa de nossa “Lapinha do Sertão”. Somos a única cidade do bioma caatinga tombada pelo IPHAN. Tombamento paisagístico e arquitetônico desde 2003. Piranhas é considerada pela Folha de São Paulo, o principal destino de água doce do nordeste e é uma das cidades mais visitadas do estado de Alagoas. Repito: será uma honra receber todos vocês”.

    Conheça Piranhas – AL, a “Lapinha do Sertão”

    Piranhas é uma pequena cidade localizada no baixo São Francisco. Sua origem data do século XVII, elevada à unidade autônoma no século XIX e, desde a década de 40, mantém a divisão administrativa que tem hoje: cidade de Piranhas e vila de Entremontes.

    Sua história é marcada por eventos que tiveram grande influência na região. Entre eles podemos citar a construção da linha ferroviária entre Piranhas e Jatobá e a exposição das cabeças de Lampião e Maria Bonita na escadaria do Palácio Dom Pedro II.

    Enquanto a exposição dos cangaceiros marcou o fim de um capítulo da história nacional, a ferrovia levou desenvolvimento para a região – efeito que se quer reconstituído no setor turístico com o Projeto Trem do Imperador.

    A economia de Piranhas baseia-se na administração pública, na agropecuária e, cada vez mais, no turismo. Influência direta de seu tombamento como sítio histórico e paisagístico pelo Iphan em 2004 e de investimentos direcionados à exploração da sua cultura.

    Foi esse crescimento, aliás, que motivou a escolha da cidade como sede da reunião do Conselho Nacional da Abrajet. Segundo o presidente  Luiz Pires, “Piranhas foi escolhida por ser um destino em ascensão em Alagoas, com acessibilidade, meios de hospedagem e gastronômicos adequados”.

    Seus atrativos ecoturísticos e de vivência únicos no país também pesaram na escolha do lugar. Os Cânions do Rio São Francisco e a Rota do Cangaço, por exemplo, fazem parte do itinerário montado pela Prefeitura Municipal de Piranhas em parceria com a seccional de Alagoas. O objetivo é mostrar um pouco das diversas atrações no pequeno prazo do evento.

    Principais atrativos da cidade de Piranhas

    Em meio a mudanças no turismo sertanejo, com direito a investimentos pesados em empreendimentos em Piranhas, algumas atrações mantém lugar de destaque e são imperdíveis durante visitas à região:

    • Cânions do São Francisco: também conhecido como Cânion do Xingó, um dos maiores cânions navegáveis do mundo, convida a um passeio de catamarã por entre seus paredões rochosos.
    • Centro Histórico: às margens do São Francisco, as diversas casas e casarões seculares protegidos pelo Iphan colorem a paisagem e encantam os turistas.
    • Mirante Secular: do lado oposto ao Mirante da Igreja e junto ao obelisco, fica este mirante do século XIX que proporciona uma visão panorâmica privilegiada do rio e seus cânions.
    • Museu do Sertão/Museu do Cangaço: localizado no Centro Histórico, conta um pouco da história da cidade e região. Lá, além de objetos de Lampião, está o registro fotográfico do fim do rei do cangaço.
    • Rota do Cangaço: realizada pelo rio com catamarã/lancha e por trilha, a Rota do Cangaço abrange as cidades de Canindé do São Francisco e Piranhas em um total de 10 quilômetros. O passeio segue o trajeto da polícia que prendeu Lampião e seu bando e oferece, além de história, boa gastronomia típica e um mergulho na paisagem sertaneja.
    • Vila de Entremontes:  apesar de ser parte da Rota do Cangaço, é outro atributo que se destaca na vila: o bordado. Conhecida como a Capital do Bordado, Entremontes tem casas coloniais que preservam a história da passagem de Dom Pedro II pela região, além da habilidade com o Redendê e o Ponto Cruz, tipos de bordado que são patrimônios imateriais do estado.

    Gastronomia típica: quando o rio encontra o sertão

    A gastronomia típica de Piranhas combina elementos da culinária sertaneja e insumos do Velho Chico em pratos com sabores marcantes. Diversos peixes protagonizam os menus da região, como tilápia, piau e lagostim (pitus), mas há espaço para todos os tipos de carne.

    Entre as comidas típicas da região, podemos mencionar:

    • Peixada com pirão
    • Carne de sol com macaxeira
    • Galinha de capoeira (galinha caipira com pirão)
    • Sarapatel
    • Baião de dois

    Cultura local: a dança que ajuda a contar a história

    A cultura de Piranhas se estende por sua arquitetura conservada, pelo bordado de sua vila, pela gastronomia típica e inevitavelmente pela relação com o cangaço.

    Apesar do forró pé de serra ser o ritmo popular da região, devido ao cangaço, o xaxado adquire importância histórica e contextual: Lampião colaborou para a disseminação do ritmo por todo o nordeste.

    A princípio, o xaxado se tratava de uma dança militar, para celebrar as conquistas dos cangaceiros. Com os deslocamentos do bando pela região, a dança conquistou adeptos em toda parte. Mesmo sendo reconhecida como dança por si só, atualmente sua execução também ajuda a contar a história em Piranhas.

    Na cidade, há mais de um grupo de xaxado. Em 2025, participaram da Mostra Alagoana de Música ao menos dois: Grupo de Xaxado Estrelas do Sertão e o Grupo de Xaxado Cangaceiros do Capiá.

    Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – Abrajet

    Abrajet (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo) é uma entidade criada em 1957 e responsável pela promoção da atividade de jornalismo turístico no país. Presente em 20 estados e com aproximadamente 200 associados, a Abrajet realiza duas vezes ao ano a reunião do Conselho Nacional.

    Programação da reunião do Conselho Nacional da ABRAJET

    Dia 28

    Chegada dos participantes

    Jantar de boas vindas

    Dia 29

    9h – Reunião do Conselho Nacional Abrajet

    12h – Almoço

    14h – Passeio dos Cânions do São Francisco

    17h – Pôr do Sol

    20h – Jantar Centro Histórico

    Dia 30

    08h30 – Saída para Rota do Cangaço/ Visita à Vila de Entremontes (Nossa Capital do Bordado)

    12h – Almoço

    15h30 – Visita ao Centro de Artesanato/Centro Histórico

    19h30 – Jantar Centro Histórico/Show de Xaxado

    Dia 31

    Retorno à origem

    Serviço

    O quê: Reunião do Conselho Nacional da ABRAJET

    Onde: Piranhas – Alagoas

    Quando: de 28 a 31 de maio

    Contato: contato@abrajetnacional.com.br

    Abrajet Nacional

  • Quando o guia educa, o destino respira melhor

    Quando o guia educa, o destino respira melhor

    Num mundo em que o turismo já responde por cerca de 8% das emissões globais de gases de efeito estufa, cada escolha de viagem deixa uma pegada maior do que parece. Transportes, hospedagem, alimentação e até as lembranças compradas em uma viagem entram nessa conta. Ao mesmo tempo, estudos apontam que milhões de espécies já sofrem pressão direta das atividades de turismo e recreação em áreas naturais, em especial nas zonas costeiras.

    Diante desse cenário, não basta vender um passeio bonito. É necessário orientar o turista sobre condutas ambientais. Isso deixou de ser um “diferencial” e se tornou uma responsabilidade ética de todo profissional do turismo, em especial, guias e condutores.

    O Ministério do Turismo define o turismo sustentável e responsável como aquele que atende às necessidades dos visitantes e das comunidades receptoras, ao mesmo tempo que preserva o patrimônio cultural, os ambientes naturais e a biodiversidade para as futuras gerações.

    O Sebrae fortalece essa ideia ao falar em turismo responsável como uma mudança de mentalidade. Não é só ter um hotel “verde” ou um atrativo com selo. É fazer com que turistas, empresários, comunidades e poder público assumam a responsabilidade pelos impactos sociais, culturais e ambientais da atividade. Na prática, isso só ganha força quando alguém traduz conceitos em atitudes simples e repetidas.

    É aqui que entra o papel do guia de turismo. Ele é a voz que conecta o discurso da sustentabilidade ao comportamento de quem está, literalmente, pisando no território. E é também aqui que entra a importância de capacitar esses profissionais para poderem atuar de forma plena e consciente. A We Guide, por exemplo, é uma plataforma que tem como propósito, por meio do seu Academy, capacitar guias e condutores de turismo em profissionais, preparados não apenas para conduzir roteiros, mas para aplicar os princípios de ESG (ambiental, social e de governança) em sua prática diária.

    O foco está em desenvolver competências que unam conhecimento técnico, sensibilidade humana e compromisso com a sustentabilidade, tornando cada guia um verdadeiro agente de transformação no turismo brasileiro.

    Pesquisas na área já apontaram que a educação ambiental é a base para um turismo responsável. Portanto, ao sensibilizar visitantes e trabalhadores do setor sobre os impactos positivos e negativos da atividade, abre-se espaço para um comportamento mais consciente. Documentos do Ministério do Meio Ambiente sobre ecoturismo e condução ambiental confirmam essa perspectiva, mostrando que o condutor é peça-chave na mediação entre visitante e ambiente, explicando regras, limites, fragilidades e potencialidades dos atrativos.

    Quando o guia interrompe a trilha para mostrar um ninho, explicar o ciclo de uma nascente ou pedir que o grupo fale mais baixo para não estressar a fauna, ele não está “atrasando o passeio”. Está ensinando um novo modo de estar e de se comportar naquele ambiente, ainda que por algumas horas.

    Eu tenho cerca de 20 anos de experiência no turismo, fui agente de viagens, guia de turismo e vivi de perto a rotina de quem faz o turismo acontecer. E é justamente por isso que afirmo: essa dimensão educativa não é um detalhe, é a base de tudo. Quando falta orientação, o impacto aparece rápido, seja com lixo espalhado, trilhas degradadas, desperdício de água e energia, natureza em desequilíbrio e, principalmente, com a perda da autenticidade cultural, que é justamente o que torna o destino diferenciado e encantador. Educar o turista é cuidar do lugar. É garantir que o turismo continue sendo uma força positiva, que gera pertencimento, sustento e orgulho para quem vive dele e para quem o visita.

    Nos últimos anos, campanhas da ONU e do MTur vêm mostrando caminhos concretos para um turismo mais responsável. A mensagem é simples, e diz que, cada viajante precisa entender que o lixo que ele gera é sua responsabilidade, e que estar na natureza é observar, não interferir. Que cuidar da água e da energia também faz parte da experiência. Afinal, cada gesto conta para preservar. Que valorizar o comércio local, respeitar as comunidades e seguir as regras dos parques e atrativos são atitudes que garantem um turismo mais consciente, sustentável e significativo.

    Alguns destinos já produzem manuais específicos do “turista consciente”, com orientações claras sobre usos de praias, áreas urbanas, unidades de conservação e patrimônio histórico. Esses materiais funcionam como base, mas é o guia quem traduz esse conteúdo para a realidade do grupo, considerando idade, interesses, limitações físicas e até o clima do dia. Essas recomendações também podem estar em placas, sites e cartilhas, mas o que faz diferença é alguém olhar no olho do turista e explicar o sentido de cada uma delas.

    Na minha opinião, o guia que assume a pauta ambiental como eixo do seu trabalho melhora a qualidade da experiência do turista, protege o próprio trabalho, fortalece a imagem do trade local e contribui diretamente para as metas globais de sustentabilidade, alinhando o turismo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente os relacionados ao consumo responsável e à vida terrestre e marinha.

    A boa notícia é que a mudança começa em gestos simples, como incluir ações ambientais em todos os roteiros e transformar cada trilha, atividade, city tour ou visita guiada em uma oportunidade de educação ambiental. Quando o turista entende que pisar em uma trilha, entrar no mar ou visitar um centro histórico é um privilégio, e não um direito ilimitado, algo muda. Ele passa a se perceber como parte da solução, não apenas do problema. Eu costumo dizer que essa é a verdadeira importância de orientar o turista sobre condutas ambientais e responsáveis, pois é assim que formamos viajantes conscientes, capazes de manter vivos os destinos que amamos.

    Ana Macêdo