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  • Drinks autorais elevam coquetelaria no Sea Rooftop, em João Pessoa

    Drinks autorais elevam coquetelaria no Sea Rooftop, em João Pessoa

    Carta de drinks dialoga com o espaço e com quem está nele

    Há lugares que pedem uma bebida à altura. O Sea Rooftop, instalado no topo do Oceana Atlântico Hotel, com vista para a praia do Bessa, em João Pessoa, é um desses.Cada criação tem uma assinatura especial, e o local oferece uma carta criativa e saborosa para os apreciadores.

    Entre os autorais, o Floratta abre o repertório com elegância discreta: vodka, limão-siciliano, uva e gengibre recebem uma camada inesperada de perfume de jasmim, e o resultado é um coquetel leve, floral, com profundidade olfativa fora do comum.

    O 7 Belo é afeto em forma de copo. A inspiração vem de uma bala de infância, e a receita traduz essa memória com gin, morango macerado e um xarope que captura aquele dulçor familiar, equilibrado pela acidez da água tônica na finalização. Nostálgico sem ser óbvio.


    Para quem prefere vibração mais expansiva, o Be Happy combina gin, maracujá, espumante e bitter aromático numa construção que alterna frescor e complexidade. Já o Paradise aposta num caminho mais direto: melão, maçã verde, limão tahiti e água com gás, um drink de fim de tarde que não precisa se justificar.

    O Nordeste dentro do copo

    Se há um drink que sintetiza a proposta do Sea Rooftop de forma mais explícita, é o Nordeste na Veia. Cachaça de produção regional, limão e caju adoçado com rapadura formam a base de uma receita que não apenas menciona o território, ela o habita. Servido em copo baixo com gelo translúcido, o coquetel recebe rodela de limão, caju e rapadura flambada na finalização: um gesto técnico que também é narrativo.

    O Onça Pintada entra na carta com outro tipo de ambição. Whisky de canela, limão tahiti, mel de abelha e polpa de maracujá compõem uma receita que se sustenta tanto no sabor quanto na referência visual, e a apresentação dialoga com o animal que dá nome ao drink, sem cair no recurso fácil da decoração excessiva.

    Equilíbrio entre autoria e repertório clássico

    A carta não abandona o território dos clássicos. Sex on the Beach, Cosmopolitan, Moscow Mule e Negroni mantêm presença garantida e cumprem uma função importante: ampliar o alcance do menu sem comprometer sua identidade.

    Para Osmildo Estrela, gerente da casa, essa construção não é acidental. “Trabalhamos com insumos de alta qualidade e buscamos construir uma carta que tenha identidade, mas que também dialogue com o público. Existe uma preocupação constante em trazer novidades, sem perder o padrão”, afirma.
    A coquetelaria foi concebida como parte orgânica da experiência, não como um serviço paralelo ao restaurante, mas como extensão dele. “Mais do que servir bons drinks, a ideia é proporcionar uma experiência completa, que envolve sabor, apresentação e o ambiente. A criatividade entra justamente para renovar essa entrega e manter o interesse do cliente.

    Sea Rooftop
    Hotel Oceana: Avenida Governador Argemiro de Figueiredo, 2100 — Bessa, João Pessoa
    Funcionamento: terça a domingo, das 17h às 23h
    Reservas: reservation.getin.app/91aywO1v ou pelo Instagram @searooftop

  • A cachaça como produto da economia criativa é case de sucesso na Paraíba

    A cachaça como produto da economia criativa é case de sucesso na Paraíba

    A produção de cachaça envolve uma série de processos criativos, desde a seleção da cana-de-açúcar até a elaboração de diferentes tipos da bebida, que podem ter sabores e aromas distintos. Além disso, ela está intimamente ligada à cultura, sendo uma das bebidas mais consumidas no país, principalmente, no Nordeste, e especialmente na Paraíba, onde a cachaça representa um importante símbolo cultural.

    Dessa forma, a produção de cachaça pode ser vista como uma atividade da economia criativa, porque contribui para o desenvolvimento econômico e cultural das regiões produtoras, por meio da valorização da cultura local, da geração de emprego e renda e do estímulo à inovação e à criatividade. Justamente por causa deste entendimento algumas feiras, simpósios e fóruns são realizados no estado da Paraíba, a fim de promover e valorizar a “cultura cachaceira”.

    Tradicionalmente brasileira, a cachaça tem sido produzida e consumida em todo o país há séculos e, ao longo dos anos, foi estigmatizada como de baixa qualidade e associada à uma imagem pejorativa e de baixo custo. Por esse motivo, era vista como uma bebida inferior em comparação com outras destiladas, como as internacionais uísque e tequila. Essa discriminação era, na maioria dos casos, ampliada pelo preconceito socioeconômico, que, frequentemente, à associava as classes mais baixas da sociedade.

    Ainda, é comum o equívoco em relação a diferença entre “cachaça” e “aguardente”. Ambas são bebidas alcoólicas produzidas a partir da fermentação e da destilação do caldo de cana-de-açúcar. A desigualdade entre as duas está na forma como são produzidas e na sua regulamentação.

    A cachaça é produzida a partir da fermentação e posterior destilação. De acordo com a legislação brasileira, a cachaça deve ser produzida no Brasil, com teor alcoólico entre 38% e 48%, e deve passar por um processo de envelhecimento em barris de madeira. Além disso, a cachaça tem uma denominação de origem protegida, ou seja, só pode ser chamada de cachaça se for produzida no Brasil.

    Já a aguardente é uma bebida produzida em vários países, incluindo o Brasil, a partir da destilação de resíduos da produção de açúcar, como o melaço. A aguardente não tem regulamentação específica no Brasil e pode ser produzida com diferentes teores alcoólicos e sem passar por um processo de envelhecimento em barris de madeira.

    Todavia, para quem aprecia a bebida, a discriminação e o equívoco, ficaram num passado longínquo, pois a valorização da cachaça e principalmente de alta qualidade têm crescido nos últimos anos, impulsionando sua produção. Algumas marcas têm investido nesses processos mais elaborados, como o envelhecimento em barris de madeira, de carvalho europeu e de madeiras brasileiras, a fim de criar cachaças mais complexas e refinadas, com blends, aromas e sabores mais sutis. Essas cachaças de alta qualidade são comercializadas como um produto Premium, com preços mais elevados e uma apresentação mais sofisticada.

    Além disso, a cachaça tem ganhado mais visibilidade em eventos gastronômicos e em restaurantes e bares especializados, onde é apreciada por consumidores exigentes e conhecedores de bebidas destiladas. Essa valorização da cachaça de qualidade tem contribuído para que a ela seja considerada um artigo da classe A, embora ainda haja muito a ser feito para combater o estigma social em torno da bebida e promover sua real e merecida valorização em todo o país.

    É exatamente nesse contexto de promoção e de venda da bebida que a economia criativa e a produção associadas ao turismo tem espaço garantido. Um exemplo disso é o Engenho Triunfo em Areia, a Capital Paraibana da Cachaça, um empreendimento que se destaca no âmbito do Turismo Criativo. A história de vida e superação do casal Maria Júlia e Antônio Augusto Baracho e dos seus quatro filhos é contada por ela com muita emoção durante a visita dos turistas ao engenho. A família enfrentou desafios e trabalhou arduamente, transformando o lugar em um espaço interessante para visitação. No Engenho Triunfo, além de se ouvir a belíssima e inspiradora história de vida do casal, pode-se, também, adquirir souvenires, apreciar a excelente cachaça Triunfo e aprender sobre sustentabilidade.

    Em outras palavras, é isso que visa essa junção de turismo com criatividade: proporcionar experiências enriquecedoras para os turistas, permitindo que eles se encantem e interajam com os moradores locais, aprendam sobre seus ofícios e conhecimentos. Essas conexões genuínas criam memórias afetivas duradouras e fazem com que o local visitado e as experiências vividas nunca sejam esquecidos.

    A produção de cachaça tem ganhado cada vez mais destaque na Paraíba e possui um grande potencial para o desenvolvimento de atividades econômicas criativas. Junto ao turismo a atividade tem mais capacidade de gerar desenvolvimento de forma sustentável, valorizando a cultura, os recursos locais, fortalecendo as comunidades e preservando o patrimônio cultural da região.

    Ana Célia Macêdo