Categoria: Paraiba

  • Reserve Garden traz exposição permanente com peças de artesãos da Paraíba e do Nordeste

    Reserve Garden traz exposição permanente com peças de artesãos da Paraíba e do Nordeste

    O artesanato paraibano e nordestino carrega histórias, afetos e identidades que atravessam gerações e encantam quem se aproxima de suas formas, texturas e significados. Em João Pessoa, essa arte ganha um novo espaço de contemplação e vivência dentro do Reserve Garden, restaurante icônico da capital paraibana que une gastronomia autoral, arquitetura e cultura local em uma experiência realmente única na capital paraibana. Além de saborear os pratos, o público também tem a oportunidade de conhecer, de perto, a riqueza do fazer artesanal da Paraíba e do Nordeste, o que transforma cada visita em um encontro entre arte, território e sensibilidade.

    Ao chegar ao local, recém reinaugurado em Manaíra, os visitantes se deparam com uma estante grandiosa com diversas peças e obras espalhadas em lugares estratégicos para apreciação.

    Toda a curadoria da decoração cheia de identidade foi realizada pela empresária Heloisa Nonino, do Grupo Nonino, que pautou suas escolhas pela proximidade com os artesãos, pelo conhecimento das técnicas e por um olhar atento à simplicidade e ao significado de cada obra. “A arte paraibana e a nordestina sempre foram uma grande paixão da minha casa, da minha família”, afirma a empresária paranaense radicada em João Pessoa.

    Ao se mudar para a capital paraibana, há mais de uma década, ela criou um acervo pessoal que foi levado posteriormente para o Reserve Garden. “Quando nós fundamos o Reserve Garden, replicamos o que era a nossa casa, com muitas plantas e arte. A princípio, era para decoração, mas as pessoas se encantavam com a forma como eu organizava as peças e queriam comprar. A partir disso, começamos também a comercializar as obras dentro do restaurante”, lembra. Entre os clientes “famosos”, o médico Drauzio Varella, o diretor Jayme Monjardim e a atriz Marieta Severo se encantaram e levaram obras expostas no restaurante para casa.

    Valorização, beleza e singularidade

    Entre as peças expostas estão os burrinhos de couro de Oziel Dias, feitos com materiais da região de Itabaiana (PB) onde o artesão vive. Nas prateleiras, pássaros em madeira de Bento de Sumé (PB) e esculturas do premiado Sérgio Teófilo, de Dona Inês (PB).

    Também são destaque no Reserve Garden os palhaços em papel machê, do artista plástico Babá Santana, as cabeças em cerâmica de Cida Lima, o imponente galo feito por Joca dos Galos com latinhas recicladas.

    As cerâmicas esmaltadas do genial Chico Ferreira, a arte sacra crua de Jonas Nogueira e quadros de artistas como Guto Holanda e Thayroni Arruda também podem ser apreciados.

    Heloisa diz que faz questão de conhecer de perto e acompanhar a trajetória de cada artesão e conhece os detalhes de produção das obras. “Me emociono quando me aproximo das histórias e sei que, quando nosso cliente vé a arte neste contexto, juntos com as plantas e o concreto aparente da arquitetura, ele se reconhece. É muito bonita essa conexão”, comenta Heloisa.

    Para a empresária, é importante reconhecer, valorizar e celebrar a arte nordestina. “O artesanato nordestino tem alma. São peças que falam de território, de memória e de quem somos. Trazer essa arte para dentro do Reserve Garden é um gesto de respeito e admiração pela cultura que nos inspira”, destaca Heloisa Nonino.

    Para conhecer de perto o Reserve Garden, o endereço é na Rua Euzely Fabrício de Souza, nº 304, Manaíra.

    Mais informações estão disponíveis no Instagram @reservegarden e no site reservegarden.com.br.

  • NUI Handwritten Collection terá projeto arquitetônico voltado à relação entre cidade, natureza e experiência urbana

    NUI Handwritten Collection terá projeto arquitetônico voltado à relação entre cidade, natureza e experiência urbana

    João Pessoa receberá o NUI Handwritten Collection, primeiro hotel da marca Handwritten Collection no Brasil, integrante do portfólio premium da Accor. Em desenvolvimento na Tambaú, um dos bairros mais conhecidos e turísticos de João Pessoa, o empreendimento nasce a partir de uma proposta arquitetônica que busca estabelecer uma relação direta com o contexto urbano, cultural e ambiental da capital paraibana.

    Desenvolvido pela Construtora Joffer e assinado pela arquiteta Leila Azzouz, o projeto parte da compreensão de João Pessoa como uma experiência que vai além do destino turístico. “O ponto de partida foi entender a cidade como uma vivência sensorial. A arquitetura do NUI foi pensada para traduzir o ritmo local, mais leve e conectado à natureza, em espaços que carregam identidade, memória e relação com o lugar”, explica a arquiteta. 

    O projeto incorpora princípios de arquitetura biofílica, um movimento que prioriza conexões entre ambientes construídos e naturais, o que imprime  conforto, iluminação natural, texturas e materiais que remetem ao meio ambiente.  “A luz natural guiou a organização dos ambientes, as aberturas e os vazios, sempre com atenção ao conforto térmico. A natureza não aparece como cenário, mas como parte do funcionamento do edifício, por meio da ventilação cruzada, da integração visual com o exterior e do uso de materiais que dialogam com o natural”, detalha a arquiteta.

    A implantação e o desenho das fachadas também foram pensados a partir da orientação solar e dos ventos predominantes. As superfícies externas atuam como filtros, permitindo sombra, circulação de ar e vistas qualificadas, sem criar barreiras visuais ou térmicas. A paisagem litorânea é incorporada de forma controlada, valorizando o entorno sem competir com ele. “Utilizamos cores neutras, materiais naturais e texturas suaves para reforçar a atmosfera leve e acolhedora”, completa Leila.

    Nos espaços comuns, o projeto propõe ambientes que extrapolam a função operacional do hotel. Lobby, áreas de convivência e restaurante foram desenhados como extensões da vida cotidiana da cidade. “São espaços pensados para estimular encontros e permanência, com escala confortável e fluidez entre os ambientes. A intenção não foi criar cenários, mas lugares de uso real”, afirma Leila.

    O rooftop, um dos pontos centrais do projeto, foi tratado como área de pausa e contemplação. O NUI também conta com  piscina e vista para o mar, restaurante com curadoria gastronômica, além de áreas pensadas para bem-estar, terapias e experiências sensoriais. A arquitetura busca enquadrar a paisagem e o horizonte por meio de proporções, transparências e materiais que favorecem a conexão com o céu, o mar e a cidade, mantendo uma atmosfera de uso contínuo e não apenas contemplativo. “O projeto mostra que é possível crescer mantendo identidade e relação com o contexto. O legado está em reforçar que arquitetura enraizada no lugar, atenta às pessoas e ao ambiente, gera experiências mais consistentes e duradouras”, ressalta.

    Com 70 acomodações, o NUI Handwritten Collection será operado sob o sistema de franquia da Accor, com acesso à plataforma global de distribuição e ao programa de fidelidade ALL. A previsão de inauguração é entre 2028 e 2029. Para mais informações, o perfil é @nui_handwrittencollection e (83) 99303-4230

  • Castro Desenvolvimento Imobiliário estreia segundo empreendimento em João Pessoa e apresenta Parque Lispector, no Aeroclube

    Castro Desenvolvimento Imobiliário estreia segundo empreendimento em João Pessoa e apresenta Parque Lispector, no Aeroclube

    A Castro Desenvolvimento Imobiliário marcou, na noite desta quarta-feira (14), a estreia de seu segundo empreendimento no mercado da construção civil em João Pessoa. A empresa é um desdobramento da trajetória sólida da pernambucana Castro Industrial, com mais de três décadas de atuação e reconhecida pela excelência na implantação, modernização e gerenciamento de obras industriais em todo o país.

    Corretores, fornecedores, parceiros e jornalistas estiveram presentes do evento, realizado no Parahyba Mall, que apresentou ao público o Parque Lispector, mais um empreendimento da Castro na capital paraibana. “A Castro escolheu João Pessoa e se consolida na Capital com vários empreendimentos e perspectiva de pelo menos três lançamentos em 2026. Com este boom imobiliário que a cidade vem vivenciando, temos um conjunto de empreendimentos, com planos de lançamentos para os próximos dez anos”, adiantou Marcos Castro, presidente da Castro Desenvolvimento Imobiliário.

    Parque Lispector, um empreendimento singular no Aeroclube

    Inspirado em Clarice Lispector, escritora de contos, romances e ensaios, o Parque Lispector será implantado no bairro do Aeroclube, em frente ao Parque Parahyba IV, um dos maiores e mais importantes parques urbanos da cidade e que valoriza o contato com o verde, o bem-estar e uma rotina mais equilibrada.

    “Essa essência artística da Clarice aparece nos materiais e, acima de tudo, no sentimento da empresa aplicado no Lispector, especialmente na fachada que recua em relação ao Parque Parahyba IV, para que se perceba que o parque é a extensão do empreendimento, ou que o empreendimento é a extensão do parque. São plantas versáteis, que dialogam com um público interessado no que há de mais contemporâneo, tanto nos materiais quanto na complexidade dos espaços de uso comum”, destacou Ricardo Nogueira, que assina o projeto arquitetônico.

    Gestão comercial e sucesso em vendas

    Para o diretor comercial da Castro Desenvolvimento Imobiliário, Eduardo Maciel, o empreendimento de estreia da Castro já é considerado um sucesso de vendas.   “Tudo que está sendo construído aqui é uma semente que foi plantada alguns anos atrás. Quando olhamos, o Lispector já nasce com sucesso. Estamos com 30% do prédio em reserva, e quisemos fazer esse evento para agradecer a João Pessoa por toda essa receptividade”, afirmou Eduardo.

    A equipe da Núcleo Consultoria Imobiliária, referência no mercado imobiliário do Nordeste, foi escolhida para estar à frente da gestão comercial do Parque Lispector.

    Segundo o sócio da Núcleo, Ivan Rocha, o projeto é seguro para quem quer viver e investir. “João Pessoa tem atraído investidores de diferentes regiões, e a escolha da Castro pela cidade reforça esse movimento. Os empreendimentos da Castro contam com garantia da Caixa Econômica Federal, o que traz segurança ao processo”, ressalta Ivan.

    Também presente no evento, o diretor da Invista Imóveis, Milton Barros, falou sobre a relação do empreendimento com o mercado local. “O Parque Lispector vem ocupar um espaço que já se tornou uma carência para um público que busca soluções habitacionais reais e encontra nesse produto uma resposta alinhada com localização, padrão construtivo e a segurança de ter a Caixa como garantidora”, ressaltou.

    ”Viva a obra da sua vida”

    A noite de apresentação do Parque Lispector também marcou a abertura da exposição fotográfica “Viva a obra da sua vida”, com imagens que contribuem diretamente para a construção do conceito apresentado pela Castro.

    Assinam a mostra os fotógrafos Max Brito, Ismael Pessoa e Higor Pereira, com registros de paisagens urbanas, cenas humanas e perspectivas aéreas da capital paraibano. Max Brito destacou o caráter espontâneo da fotografia de paisagem apresentada na mostra. A mostra reúne mais de 20 obras e permanece em cartaz até o dia 3 de março, no primeiro andar do mall. A entrada é gratuita, com visitação de segunda a sábado, das 10h às 22h e domingo, das 12h às 22h.

    Para conhecer mais sobre a Castro DI, acesse https://castrodi.com.br/ou e siga no Instagram: @castrodi_oficial.

  • Turismo impulsiona interesse por investimentos imobiliários em João Pessoa

    Turismo impulsiona interesse por investimentos imobiliários em João Pessoa

    Núcleo Consultoria Imobiliária, uma das empresas referências do setor no Nordeste, dá dicas de mercado e oportunidade

    O encantamento de turistas por João Pessoa tem se refletido, cada vez mais, em decisões de investimento no mercado imobiliário da capital paraibana. Para o especialista do setor imobiliário Gustavo Galindo, sócio da Núcleo Consultoria Imobiliária, uma das empresas referências do setor no Nordeste, o primeiro passo para quem visita a cidade e passa a considerar a compra de um imóvel é avaliar se o estilo de vida desejado está alinhado ao perfil urbano e praiano que João Pessoa oferece.

    “É fundamental que a pessoa entenda se o estilo de vida dela se encaixa na cidade. Avaliar se é mais urbana ou mais praiana, como é a estrutura familiar, se há crianças ou adolescentes e quais são as necessidades do dia a dia. Tudo isso ajuda diretamente na escolha do bairro e do imóvel”, destaca Gustavo Galindo.

    Segundo ele, também é importante definir se o objetivo é morar ou investir com foco em rentabilidade, sendo o segundo objetivo mais ligado a imóveis menores e compactos, como flats e com locação de curta temporada. “Já para quem pensa em moradia, os imóveis costumam ser maiores, acima de 60 metros quadrados, com estrutura de lazer e pensados para a rotina familiar”, explica.

    João Pessoa vive uma demanda crescente no mercado local, especialmente uma necessidade de imóveis de dois e três quartos para locação anual, representando uma boa oportunidade para quem busca renda com aluguel de longo prazo.

    Ele chama atenção para a importância de observar a credibilidade dos profissionais envolvidos na negociação, seja para quem deseja morar ou investir em imóveis na capital paraibana. “É essencial saber com quem se está lidando. Verificar se o corretor está ativo no Creci, há quanto tempo atua no mercado e a reputação da imobiliária traz mais segurança para o processo.

    No caso de imóveis em construção, também é importante analisar o histórico da construtora, prazos e qualidade das entregas”, orienta.

    Conhecer o bairro é crucial para uma boa escolha

    Entre os erros mais frequentes cometidos por investidores que decidem por impulso está o desconhecimento do bairro e das características do imóvel, onde muitas vezes a expectativa não corresponde à realidade. “Em João Pessoa, fatores como posição do apartamento, ventilação e incidência solar fazem muita diferença no conforto térmico, especialmente para quem vem de outras regiões do país”, ressalta.

    Para ele, o período entre dezembro e janeiro é um dos mais estratégicos para quem deseja conhecer o mercado imobiliário local por se tratar de um momento em que o mercado está aquecido e com muitas opções de lançamento, em construção e prontas, proporcionando ao turista conhecer a cidade em pico de temporada e entender como ela funciona fora desse período.

    Escolha do corretor faz toda a diferença e oferece segurança para o negócio

    O papel do corretor imobiliário, nesse contexto, é decisivo para o sucesso do investimento. “Nosso trabalho é entender o perfil do cliente para oferecer o produto certo. Como o turista tem pouco tempo, precisamos ser assertivos, mostrar a cidade, os bairros e como seria o dia a dia daquela pessoa ou família aqui”, explica.

    Gustavo Galindo ainda reforça a importância da segurança jurídica nas negociações. “Cabe ao corretor e à imobiliária garantir que todo o processo seja feito com transparência e segurança, seja em negociações entre particulares ou com construtoras. Escolher um profissional idôneo faz toda a diferença para um investimento bem-sucedido”, conclui.

  • Arnaldo Junior Farias, ex-prefeito de Cabaceiras, analisa transformação de João Pessoa pelo Turismo

    Arnaldo Junior Farias, ex-prefeito de Cabaceiras, analisa transformação de João Pessoa pelo Turismo

    Neste artigo, Arnaldo Junior Farias, ex-prefeito do município de Cabaceiras e atualmente consultor nas áreas de Gestão de Políticas Públicas, Desenvolvimento Territorial e Turismo, credenciado no Sebrae Nacional, apresenta uma análise da transformação da capital paraibana de periférica para cidade de escolha que atrai migrantes de diferentes regiões, examinando como o crescimento populacional acelerado redesenha a dinâmica urbana e os desafios estruturais de planejamento, mobilidade, habitação e governança territorial, argumentando que a cidade chegou a um ponto de decisão crítico que definirá seu futuro desenvolvimento.

    Para compreender a análise completa de Arnaldo Junior Farias sobre o futuro de João Pessoa, leia o artigo abaixo.

    João Pessoa no Limiar – Por Arnaldo Júnior Farias

    Durante décadas, João Pessoa foi vista como uma capital periférica no cenário nacional. Uma cidade bonita, tranquila, acolhedora, mas fora do eixo dos grandes fluxos econômicos e populacionais do Brasil. Isso mudou.

    Os dados do Censo 2022 do IBGE revelam uma virada histórica no mapa da migração interna brasileira. Estados como Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná passaram a ser os grandes pólos de atração populacional. São Paulo e Rio de Janeiro, pela primeira vez em muitas décadas, perderam centralidade como destino natural da mobilidade social.

    No Norte e Nordeste, um dado chama ainda mais atenção: a Paraíba foi o único estado com saldo migratório positivo. E isso não é obra do acaso. Esse crescimento é puxado de forma clara por João Pessoa — a capital que mais cresceu no Nordeste na última década.

    João Pessoa entrou definitivamente no clube das cidades de escolha.

    Uma cidade que passou a ser escolhida — não apenas herdada

    Hoje, João Pessoa atrai pessoas que já consolidaram suas trajetórias profissionais e familiares. Aposentados, famílias em transição de vida, investidores imobiliários, profissionais em trabalho remoto e pessoas em busca de qualidade de vida passaram a enxergar a cidade como destino permanente de moradia.

    A cidade reúne atributos que pesam muito mais do que o tamanho da metrópole: litoral urbano com praias balneáveis, qualidade ambiental, serviços estruturados, custo de vida mais competitivo, escala humana, população acolhedora e educada

    João Pessoa é, ao mesmo tempo, grande o suficiente para oferecer oportunidades e pequena o suficiente para oferecer tranquilidade.

    Esse novo perfil migratório — vindo de fora, com renda, expectativas e poder de escolha — passou a pressionar profundamente o território.

    O turismo deixou de ser setor. Virou força que redesenha a cidade.

    O turismo, que por décadas foi uma atividade relevante, tornou-se agora vetor estruturante da forma urbana.

    Isso significa que ele passou a moldar: o mercado imobiliário, o custo de vida, a ocupação do solo, o padrão de serviços, a mobilidade e a própria geografia social da cidade

    O Polo Turístico Cabo Branco é o símbolo mais evidente dessa virada.

    Um complexo turístico de escala bilionária, com resorts, hotéis de grandes bandeiras, parques temáticos e estruturas de entretenimento, projetado para inserir João Pessoa no circuito nacional e internacional do turismo de alto padrão.

    É, ao mesmo tempo, oportunidade e alerta.

    Experiências semelhantes em várias regiões do Brasil mostram que grandes resorts frequentemente funcionam como ilhas econômicas, com baixa integração à economia urbana local, pouca absorção de mão de obra qualificada da cidade e reduzida circulação de renda no território.

    O risco é claro: criar enclaves turísticos que concentram valor sem irradiar desenvolvimento.

    A metrópole silenciosa que já existe — sem projeto

    João Pessoa já não é apenas João Pessoa. Cabedelo, Bayeux, Santa Rita, Conde, Lucena e Cruz do Espírito Santo, tornaram-se a válvula de escape da capital. É para essas cidades que migram as famílias pressionadas pelo aumento dos aluguéis e do valor dos imóveis.

    Forma-se, silenciosamente, uma região metropolitana com quase 1,5 milhão de habitantes, sem governança metropolitana efetiva, sem planejamento integrado e sem projeto urbano comum.

    A conurbação acontece — mas sem comando.

    A infraestrutura de ontem para a cidade de amanhã.

    A BR-230 cortando João Pessoa é o símbolo mais visível da ausência de uma malha estrutural moderna de mobilidade urbana e metropolitana. Uma rodovia federal, pensada para o tráfego de longa distância e cargas pesadas, tornou-se eixo urbano cotidiano de deslocamento.

    Com basicamente dois viadutos fazendo a ligação entre a cidade antiga e a cidade das praias, o resultado é previsível: congestionamentos crescentes, aumento do tempo de deslocamento, perda de qualidade de vida e desgaste da cidade que justamente cresceu por ser tranquila.

    João Pessoa virou outra cidade — sem que sua espinha dorsal urbana tivesse sido redesenhada.

    O paradoxo: o crescimento que ameaça o próprio diferencial

    João Pessoa cresce porque é tranquila, bonita, humana e funcional. Mas cresce de forma que começa a ameaçar exatamente esses atributos.

    Sem intervenção estratégica, a cidade corre o risco de repetir trajetórias já conhecidas de Recife, Salvador, Fortaleza e Natal: espraiamento urbano, gentrificação acelerada, perda de identidade, conflitos silenciosos e colapso progressivo da mobilidade e da qualidade de vida.

    João Pessoa chegou ao seu ponto de decisão

    A cidade não está mais no tempo das escolhas espontâneas. Ela entrou no tempo das decisões estruturais.

    Ou João Pessoa assume um novo ciclo de: planejamento metropolitano integrado, redesenho estrutural da mobilidade, política ativa de habitação, regulação do adensamento, governança territorial compartilhada, ou entrará no ciclo da perda de seu próprio diferencial.

    O crescimento é uma oportunidade rara. Mas só vira desenvolvimento quando é planejado.

    João Pessoa não é mais apenas uma cidade em crescimento. Ela é, agora, uma cidade em decisão.

    Arnaldo Junior Farias é consultor nas áreas de Gestão de Políticas Públicas, Desenvolvimento Territorial e Turismo. Credenciado no Sebrae Nacional. Ex-Prefeito do município de Cabaceiras PB. Ganhador do Prêmio Nacional Prefeito Empreendedor da Região Nordeste e do Prêmio Gestão e Cidadania da FGV/BNDES – 2004 como uma das cinco melhores experiências de Gestão Inovadora do País.