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  • Baleias, aldeias indígenas e vila histórica: o lado pouco conhecido de Porto Seguro ganha espaço no FITCataratas

    Baleias, aldeias indígenas e vila histórica: o lado pouco conhecido de Porto Seguro ganha espaço no FITCataratas

    Patrimônio histórico e contato com a natureza estão entre os diferenciais promovidos pelo destino do Estado da Bahia durante o evento.

    Muito além das praias, Porto Seguro (BA) aproveita a vitrine do Festival Internacional de Turismo Cataratas (FITCataratas), realizado em Foz do Iguaçu (PR), para reforçar seu posicionamento como a Terra Mãe do Brasil e apresentar ao mercado turístico experiências que vão além do tradicional sol e pé na areia. 

    Durante a Feira de Turismo e Negócios, o destino baiano promove atrativos que unem história, cultura e natureza, revelando novas possibilidades para quem visita a região. Arraial d’Ajuda, Trancoso, Caraíva, o Centro Histórico, o Litoral Norte e Vale Verde, são algumas das localidades que combinam paisagens naturais, gastronomia e opções de lazer. 

    Considerada o berço da história brasileira, Porto Seguro preserva importantes marcos do período colonial. A primeira vila do Brasil, com sua arquitetura preservada, abriga igrejas centenárias e museus que guardam registros dos primeiros capítulos da formação do país, permitindo aos viajantes reviverem momentos marcantes da história nacional.

    Além da relevância histórica, a cidade destaca segmentos como o turismo rural e ecoturismo, com os Parques Nacionais do Pau Brasil e de Monte Pascoal, onde é possível realizar o avistamento de aves. No Parque Municipal Marinho do Recife de Fora, mergulhos e passeios permitem contemplar a biodiversidade marinha da região. O período entre julho e outubro reserva um espetáculo à parte: o avistamento da passagem das baleias jubarte. 

    Festivais gastronômicos, como o Raízes, o Esquina do Mundo e o Organic, valorizam a diversidade de sabores e destacam as influências que marcaram a origem da culinária brasileira. O turismo étnico ganha espaço com visitas às aldeias indígenas na Reserva da Jaqueira.  

    Paraíso 

    Segundo a assessora especial Aline Rodrigues, representando a Secretaria Municipal de Turismo de Porto Seguro, a cidade participa do FITCataratas há cinco anos e nesta edição traz um estande temático. “Muitas pessoas que visitam Porto Seguro há anos ainda não sabem que podem vivenciar essas experiências na nossa região. Neste ano, o foco é apresentar essas novidades para que agentes de viagens e turistas saibam que, além das belíssimas praias, Porto Seguro tem muito mais a oferecer”, afirmou.

    Ao reforçar o potencial turístico do município, Aline ressaltou o crescimento contínuo do fluxo de viajantes. “Porto Seguro é a terra mãe do Brasil, onde tudo começou. É um paraíso; quem nunca foi precisa conhecer, e quem já foi precisa retornar, porque todos os anos temos novidades. No ano passado, recebemos 2,9 milhões de turistas e, neste ano, certamente vamos ultrapassar a marca de 3 milhões de visitantes”, completou.

    FITCataratas

    A Feira de Turismo e Negócios do FITCataratas começou na quinta-feira (11) e segue nesta sexta-feira (12), das 14h às 20h, no Rafain Palace Hotel & Convention. Além da Bahia, estão presentes expositores de diferentes estados brasileiros. Entre eles estão Amapá, Ceará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe.

    O FITCataratas é realizado e organizado pela De Angeli Eventos & Empreendimentos. O evento conta com o patrocínio do AquaFoz, Sebrae, Fecomércio e Fundo Iguaçu. Saiba mais em www.festivaldascataratas.com.

    Crédito Foto: Douglas Guimarães

  • Da cracóvia ao couro de peixe caiçara: Indicações Geográficas são vitrine do Paraná no FITCataratas

    Da cracóvia ao couro de peixe caiçara: Indicações Geográficas são vitrine do Paraná no FITCataratas

    De diferentes regiões do estado, produtos reconhecidos pela origem e pelo modo de produção mostram como iniciativas locais podem se transformar em atrativos turísticos

    Produtos que carregam história, identidade e tradição têm chamado a atenção dos visitantes da Feira de Turismo e Negócios do 21º Festival Internacional de Turismo Cataratas (FITCataratas), realizada no Rafain Palace Hotel & Convention, em Foz do Iguaçu (PR).

    De embutidos típicos a acessórios produzidos com couro de peixe e doces herdados da imigração europeia, as Indicações Geográficas (IGs) têm se consolidado como ferramentas capazes de impulsionar o turismo e criar experiências para os visitantes.

    Reconhecidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), as Indicações Geográficas identificam produtos ou serviços cuja qualidade, reputação ou características estão diretamente relacionadas à sua origem. O Paraná é atualmente o estado brasileiro com o maior número de registros desse tipo: são 26 IGs reconhecidas.

    Um pedaço da Ucrânia

    No estande de Prudentópolis, localizado na região Centro-Sul do estado, os visitantes encontram um convite para conhecer a tradição ucraniana à mesa. A cidade, que acumula os reconhecimentos como Ucrânia Brasileira, Terra das Cachoeiras Gigantes e Capital da Oração do Paraná, apresenta ao público do evento um de seus maiores símbolos gastronômicos: a Cracóvia de Prudentópolis.

    Produzida desde a década de 1960 por descendentes de ucranianos, a Cracóvia conquistou, em janeiro de 2025, o registro de Indicação Geográfica na modalidade Indicação de Procedência. O embutido é elaborado com carne suína nobre, selecionada manualmente a partir do miolo do pernil fresco, temperada com especiarias. Após a preparação, passa por um processo de defumação em lenha que dura entre sete e oito horas.

    Segundo Marcos Machulek, empreendedor e presidente da Associação dos Produtores de Embutidos de Prudentópolis (Apep), atualmente formada por nove produtores associados, o reconhecimento fortaleceu ainda mais a identidade do produto. “A Cracóvia representa hoje um produto fortemente presente nas vendas de defumados. Ela é um símbolo, um ícone da cidade, ligado à cultura ucraniana e à herança europeia na produção de alimentos defumados. Com a conquista do IG, passou a ter uma identidade geográfica e uma indicação de procedência”, afirma.

    No estande, além da degustação do embutido, os visitantes podem vivenciar danças típicas apresentadas pelo Grupo Folclórico Ucraniano Brasileiro Vesselka.

     

    Marcos Machulek, empreendedor e presidente da Associação

     

    Identidade Caiçara

    Brincos, colares, chaveiros, porta-cartões e broches confeccionados com couro de peixe também despertam a curiosidade de quem visita o estande de Pontal do Paraná, município localizado no litoral do estado.

    A cidade conquistou, em maio de 2026, a mais recente Indicação Geográfica do Paraná, tornando-se a primeira do Brasil reconhecida para produtos feitos com couro de peixe. O registro valoriza o trabalho baseado no aproveitamento sustentável das peles provenientes da pesca artesanal e na preservação dos conhecimentos da cultura caiçara.

    “Fomos agraciados com essa identificação geográfica pela qualidade do nosso produto. Ele passou por uma avaliação científica criteriosa para ser considerado uma indicação de procedência. O melhor couro de peixe do Paraná e do Brasil encontra-se em Pontal do Paraná”, destaca Maria Regina Macedo Alves, artesã e secretária da Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP).

    Além do artesanato, Pontal do Paraná traz para degustação o Cambira, prato típico preparado à base de peixe defumado, pirão e banana-da-terra, que aguarda o reconhecimento do INPI.

     

    Maria Regina Macedo Alves, artesã e secretária da Associação 

    Tortas de Carambeí

    As tradicionais tortas de Carambeí, nos Campos Gerais, também ganharam espaço no FITCataratas durante o Pitch de Negócios promovido pelo Sebrae Paraná.

    A tradição foi trazida pelos imigrantes holandeses e é mantida na região desde 1911. Reconhecidas como patrimônio cultural e gastronômico do município, as tortas receberam a certificação de Indicação Geográfica em janeiro deste ano. A Associação dos Produtores de Tortas de Carambeí (APTC) é composta por quatro empresas dedicadas à preservação desse legado centenário.

    Para Lucas Henrique, proprietário de um lavandário e comerciante do produto, o reconhecimento evidencia uma conexão entre o produto e a atividade turística.

    “As tortas de Carambeí já eram, há muito tempo, um atrativo turístico para as pessoas que vinham de cidades mais distantes para provar esse sabor tão característico. A indicação geográfica surgiu justamente para valorizar esse diferencial, a história, os ingredientes e o modo de fazer. Com o apoio do Sebrae, conseguimos transformar essa ideia em realidade”, relata.

    Integrantes da associação dos Produtores de Tortas de Carambeí (APTC), Lucas Henrique e Kenny Richard

     

    Oportunidades de mercado

    De acordo com a gestora de Projetos de Turismo e Economia Criativa da Regional Centro do Sebrae Paraná, Nádia Joboji Fernandes, a conquista de uma Indicação Geográfica é resultado de um processo construído a muitas mãos, envolvendo produtores, associações, poder público, instituições de ensino e entidades de apoio.

    “Mais do que a obtenção do registro, o Sebrae acredita que a Indicação Geográfica é uma ferramenta de desenvolvimento regional, capaz de gerar valor para os produtos, fortalecer a cultura local, ampliar oportunidades de mercado e promover o território de forma diferenciada”, conclui.

    FITCataratas

    O FITCataratas é realizado e organizado pela De Angeli Eventos & Empreendimentos. O evento conta com o patrocínio do AquaFoz, Sebrae, Fecomércio e Fundo Iguaçu. Saiba mais em www.festivaldascataratas.com.

    Foto Crédito: Douglas Guimarães

  • Influenciadores podem ser deportados dos EUA por monetizar conteúdo sem visto adequado; saiba como fica o caso de Virginia Fonseca

    Influenciadores podem ser deportados dos EUA por monetizar conteúdo sem visto adequado; saiba como fica o caso de Virginia Fonseca

    Enquanto criadores de conteúdo estrangeiros podem enfrentar deportação, cancelamento de visto e até proibição de entrada futura nos Estados Unidos ao trabalhar sem autorização, a situação é diferente para influenciadores que possuem cidadania americana, como Virginia Fonseca

    A realização da Copa do Mundo nos Estados Unidos tem atraído milhares de influenciadores, youtubers, jornalistas e produtores de conteúdo interessados em registrar partidas, bastidores e experiências para suas redes sociais. No entanto, especialistas alertam que a monetização desse material pode gerar problemas migratórios para estrangeiros que não possuem autorização adequada para trabalhar no país.

    A discussão ganhou força nas redes sociais após internautas questionarem como as regras se aplicariam a grandes influenciadores brasileiros que costumam produzir conteúdo nos Estados Unidos, como Virginia Fonseca.

    Segundo o advogado especialista em imigração para os Estados Unidos Daniel Toledo, a situação da influenciadora é diferente porque ela possui cidadania americana.

    “Um cidadão americano tem autorização plena para viver e trabalhar nos Estados Unidos. Portanto, as restrições migratórias relacionadas a vistos não se aplicam ao caso dela”, explica.

    O alerta, segundo Toledo, é direcionado principalmente a influenciadores, jornalistas, youtubers e criadores de conteúdo estrangeiros que entram no país utilizando vistos de turismo ou outras categorias que não autorizam atividade profissional. Nesses casos, a monetização de conteúdos produzidos em território americano pode ser interpretada pelas autoridades como trabalho sem autorização.

    “Ter cidadania americana muda completamente o cenário. O problema surge quando a pessoa depende de um visto que não permite o exercício daquela atividade específica”, afirma.

    Quando a produção de conteúdo pode ser considerada trabalho?

    Muitas pessoas acreditam que a produção de vídeos, reportagens e transmissões durante eventos esportivos pode ser realizada livremente utilizando um visto de turismo. No entanto, quando existe remuneração direta ou indireta relacionada à atividade, a situação pode ser interpretada pelas autoridades como exercício de atividade profissional sem autorização.

    “Se a pessoa está nos Estados Unidos produzindo conteúdo que será monetizado, seja por publicidade, patrocínio, visualizações ou qualquer outra forma de remuneração, ela pode ser enquadrada como alguém exercendo atividade laboral no país”, explica Toledo.

    De acordo com o advogado, essa não é uma regra criada especificamente para a Copa do Mundo nem uma mudança recente nas políticas migratórias americanas. A restrição já está prevista na Immigration and Nationality Act (INA), legislação que regulamenta os vistos e a imigração nos Estados Unidos.

    A interpretação das autoridades migratórias considera que a geração de renda decorrente de atividades realizadas fisicamente em território americano pode configurar trabalho, independentemente de o pagamento ser recebido em outro país ou de o conteúdo ser publicado posteriormente.

    Nem todo vídeo representa um problema

    Especialistas destacam que existe uma diferença importante entre o turista que registra momentos da viagem para uso pessoal e o profissional que depende da produção de conteúdo como fonte de renda.

    Na prática, um visitante que grava vídeos de um jogo para compartilhar com amigos ou publicar ocasionalmente nas redes sociais dificilmente enfrentará questionamentos. O cenário muda quando a atividade envolve canais monetizados, contratos publicitários, cobertura jornalística profissional ou qualquer expectativa de retorno financeiro.

    “Os agentes de imigração analisam o contexto da viagem. Se identificarem que a pessoa vive da produção de conteúdo, possui audiência relevante ou está cobrindo um evento de forma profissional, podem questionar qual é a autorização migratória utilizada para aquela atividade”, afirma Toledo.

    A situação também pode envolver jornalistas independentes, fotógrafos, cinegrafistas, documentaristas e produtores de conteúdo que realizam coberturas para veículos de comunicação ou plataformas digitais.

    Quais são as consequências?

    As penalidades podem ser severas para quem for considerado em situação irregular.

    Entre as consequências mais comuns estão o cancelamento imediato do visto, a negativa de entrada no país, a deportação e dificuldades para obtenção de novos vistos no futuro.

    Dependendo da gravidade da situação e das informações apresentadas às autoridades migratórias, o histórico da infração pode permanecer registrado nos sistemas do governo americano e influenciar futuras análises de admissibilidade.

    “O principal erro é acreditar que, por receber o pagamento no Brasil ou em outro país, a atividade deixa de ser considerada trabalho. O que as autoridades avaliam é onde a atividade foi realizada e qual era sua finalidade econômica”, explica o advogado.

    Além do risco migratório imediato, uma ocorrência desse tipo pode comprometer planos futuros de estudo, trabalho ou imigração para os Estados Unidos.

    O que fazer se for abordado pelas autoridades?

    Caso um criador de conteúdo ou profissional da mídia seja questionado por agentes de imigração durante a entrada no país ou durante o evento, especialistas recomendam agir com transparência.

    Mentir para autoridades americanas ou apresentar informações falsas costuma gerar consequências mais graves do que a própria suspeita inicial de irregularidade.

    A recomendação é responder às perguntas de forma objetiva, fornecer apenas as informações solicitadas e evitar qualquer tentativa de ocultar equipamentos, contratos ou atividades profissionais.

    Também não é aconselhável apagar conteúdos, excluir arquivos ou alterar informações durante uma fiscalização.

    Se houver dúvidas sobre a situação migratória ou suspeita de enquadramento por atividade profissional não autorizada, o ideal é buscar orientação jurídica especializada antes de assinar documentos ou prestar declarações mais detalhadas.

    A prevenção continua sendo o melhor caminho

    Com o crescimento da economia dos criadores de conteúdo e da cobertura digital de grandes eventos internacionais, especialistas recomendam que profissionais que pretendem monetizar conteúdos produzidos nos Estados Unidos realizem um planejamento migratório prévio.

    A orientação é verificar antecipadamente qual categoria de visto é adequada para a atividade que será desempenhada no país e não presumir que o visto de turismo será suficiente para qualquer tipo de produção audiovisual.

    “Quando existe monetização, contrato publicitário, cobertura profissional ou expectativa de remuneração relacionada ao conteúdo produzido, é fundamental avaliar a situação antes da viagem. Resolver a questão migratória antecipadamente é muito mais simples do que lidar com uma acusação de trabalho irregular na imigração”, conclui Toledo.

    Em eventos de grande visibilidade internacional, como a Copa do Mundo, a atenção das autoridades tende a ser maior sobre profissionais de mídia, influenciadores e criadores de conteúdo estrangeiros. Por isso, entender os limites do visto utilizado pode evitar problemas que ultrapassam o evento e afetam projetos futuros de entrada nos Estados Unidos.

     

    Sobre Daniel Toledo

    Daniel Toledo é advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC. Toledo também possui um canal no YouTube com mais de 1 milhão de seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente. Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford – Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR.

     

    Sobre a Toledo e Advogados Associados

    O escritório Toledo e Advogados Associados é especializado em direito internacional, imigração, investimentos e negócios internacionais. Atua há mais de 20 anos com foco na orientação de indivíduos e empresas em seus processos. Cada caso é analisado em detalhes, e elaborado de forma eficaz, através de um time de profissionais especializados. Para melhor atender aos clientes, a empresa disponibiliza unidades em São Paulo, Santos e Houston. A equipe é composta por advogados, parceiros internacionais, economistas e contadores no Brasil, Estados Unidos e Portugal que ajudam a alcançar o objetivo dos clientes atendidos. 

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    Para mais informações, acesse o site ou pelo instagram.

    Foto Crédito: Divulgação

  • “O Paraná cresce acima da média nacional no turismo”, afirma presidente da ABAV-PR

    “O Paraná cresce acima da média nacional no turismo”, afirma presidente da ABAV-PR

    Entrevista exclusiva concedida à Rede Portais Brasil durante o Festival Internacional de Turismo das Cataratas (FIT Cataratas), em Foz do Iguaçu.

    O turismo paranaense vive um dos seus melhores momentos, mas o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais que limitam seu potencial como destino internacional. Essa é uma das avaliações do presidente da ABAV Paraná, Geraldo Zaidan Rocha, entrevistado pela Rede Portais Brasil durante o Festival Internacional de Turismo das Cataratas (FIT Cataratas), em Foz do Iguaçu.

    Com mais de 25 anos de atuação no setor e passagem pela presidência nacional da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), Geraldo não fugiu de temas polêmicos. Na conversa, ele afirmou que o Paraná tem crescido acima da média nacional no turismo, destacou o avanço do turismo religioso e o fortalecimento do litoral paranaense, mas também fez duras críticas à infraestrutura turística brasileira e à insegurança pública, que considera um dos principais obstáculos para a atração de visitantes estrangeiros.

    O dirigente também abordou as transformações provocadas pela tecnologia, defendeu o papel das agências de viagens em um mercado cada vez mais digital e revelou por que muitos consumidores voltaram a buscar atendimento presencial após experiências frustrantes com plataformas online. Sobre a inteligência artificial, foi direto: considera a ferramenta uma aliada importante, mas alerta que ela ainda está longe de substituir a experiência e o conhecimento humano.

    Ao longo da entrevista, Geraldo ainda fala sobre o futuro do turismo brasileiro, as tendências que devem movimentar o mercado nos próximos anos, a importância dos eventos de negócios para o setor e compartilha uma reflexão que resume sua trajetória: “Eu nunca tive uma padaria, mas passei a vida vendendo sonhos”.

    Confira a entrevista completa.

     

    Para começar, conte um pouco sobre sua trajetória no turismo e sua atuação na ABAV.

    Geraldo Zaidan Rocha: Entrei na ABAV Paraná em 1999, justamente quando Curitiba sediou o Congresso Nacional da ABAV. Estou na entidade desde então. Tive a oportunidade de presidir a ABAV Nacional entre 2018 e 2019 e, no final de 2025, assumi a presidência da ABAV Paraná. É uma trajetória de mais de duas décadas acompanhando a evolução do turismo brasileiro e trabalhando pelo fortalecimento do setor.

     

    O senhor presidiu a ABAV Nacional e hoje lidera a ABAV Paraná em um momento de profundas transformações. Como avalia a evolução do turismo brasileiro ao longo dessa trajetória?

    Geraldo Zaidan Rocha: A principal evolução que sentimos foi a tecnológica. A tecnologia veio para ajudar, facilitar a vida do passageiro e também do agente de viagens. Hoje temos ferramentas que agilizam processos e aproximam pessoas.

    Por outro lado, nossa batalha diária neste país continua sendo as políticas econômicas. Muitas vezes elas acabam dificultando a vida do empreendedor e do empresário. As margens de lucro ficam cada vez menores, os custos aumentam e sobra menos recurso para investir. Esse é um desafio constante para quem gera emprego e movimenta a economia.

     

    As plataformas online de reservas e vendas mudaram a relação entre consumidores e agentes de viagens. Como as agências podem se diferenciar nesse cenário?

    Geraldo Zaidan Rocha: Muitas pessoas aderiram à tecnologia para comprar passagens, hospedagens e pacotes pela internet. Só que, em muitos casos, chegavam ao aeroporto, ao hotel ou ao navio e descobriam que a reserva estava errada, não constava no sistema ou aparecia como não paga.

    Isso gerou insegurança e fez com que muitos consumidores voltassem a procurar as agências físicas, principalmente após a pandemia. As pessoas valorizam poder conversar pessoalmente, tirar dúvidas e ter alguém responsável pelo atendimento.

    A confiança continua sendo fundamental. Quando você compra uma viagem, está investindo em um sonho. E sonhos precisam de segurança.

     

    A inteligência artificial está chegando com força ao turismo, oferecendo roteiros, pesquisas e recomendações personalizadas. Ela deve ser vista como concorrente ou aliada?

    Geraldo Zaidan Rocha: Como aliada. Não vejo a inteligência artificial como concorrente.

    Mas também acredito que não podemos confiar cegamente nela. Afinal, quem alimenta a inteligência artificial são as pessoas. Ela não nasce sabendo tudo nem pensa sozinha. Ela trabalha a partir das informações que recebe dos seres humanos.

    E o ser humano falha. Portanto, a inteligência artificial é uma ferramenta importante, mas ainda depende muito da qualidade das informações fornecidas. O conhecimento humano continua sendo essencial.

     

    Especialistas apontam que o turismo brasileiro vive um momento positivo. O senhor compartilha dessa visão? Quais são os principais desafios para manter esse crescimento?

    Geraldo Zaidan Rocha: Sim. No Paraná, por exemplo, o turismo cresceu acima da média nacional. Tivemos uma evolução muito significativa nos últimos anos.

    A infraestrutura do litoral melhorou bastante e os resultados apareceram. Tivemos a maior temporada da história do litoral paranaense. Além disso, o turismo religioso vem crescendo de forma impressionante em várias regiões do estado.

    No entanto, esse crescimento também traz desafios importantes. A segurança pública é um dos principais deles. Existem destinos com grande potencial turístico que necessitam de políticas mais efetivas para garantir tranquilidade tanto aos moradores quanto aos visitantes.

    Também é fundamental manter investimentos em infraestrutura, qualificação profissional, promoção dos destinos turísticos e integração entre o poder público e a iniciativa privada. O turismo tem um enorme potencial para gerar emprego, renda e desenvolvimento regional, mas seu crescimento sustentável depende de planejamento contínuo e ações estratégicas de longo prazo.

     

    Na sua avaliação, o Brasil ainda não está preparado para receber o turista estrangeiro?

    Geraldo Zaidan Rocha: Não da forma como poderia estar.

    O Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial do Turismo como um dos países mais privilegiados do mundo em belezas naturais. Como destino turístico, é um país extraordinário.

    Mas, quando falamos de infraestrutura turística para receber visitantes internacionais, ainda estamos muito atrás de outros países. Temos alguns dos cenários mais bonitos do planeta, mas ainda enfrentamos dificuldades em áreas como mobilidade, serviços, sinalização e segurança.

    Precisamos evoluir para transformar todo esse potencial em resultados ainda maiores.

     

    Recentemente a ABAV promoveu mais uma edição da Expo Turismo Paraná, considerada um sucesso. Qual a importância de eventos como esse para o setor?

    Geraldo Zaidan Rocha: É uma importância enorme.

    Esses eventos aproximam agentes de viagens, operadores, destinos turísticos, hotéis e fornecedores. É uma oportunidade de relacionamento, capacitação e geração de negócios.

    Nossa 30ª edição da Expo Turismo Paraná foi um grande sucesso. E já estamos trabalhando na próxima edição, que acontecerá nos dias 6 e 7 de maio do próximo ano.

    Eventos como esse fortalecem toda a cadeia produtiva do turismo.

     

    Desde a pandemia, o perfil dos viajantes mudou bastante. O que o senhor percebe de diferente no comportamento do consumidor atual?

    Geraldo Zaidan Rocha: Houve uma mudança importante.

    Muitas pessoas que utilizavam exclusivamente os meios digitais para planejar e comprar suas viagens sentiram-se desamparadas durante a pandemia. Em muitos casos, tiveram dificuldades para conseguir atendimento, remarcações ou reembolsos.

    Quando precisaram de ajuda, procuraram as agências físicas.

    Isso acabou fortalecendo novamente a relação de confiança entre os passageiros e os agentes de viagens. A pandemia trouxe de volta muitos clientes para dentro das agências.

     

    Diante dessas transformações, como a ABAV tem trabalhado para apoiar os pequenos empresários e as agências de viagens?

    Geraldo Zaidan Rocha: Através de cursos, treinamentos, palestras e capacitações permanentes.

    A ABAV está sempre ao lado do agente de viagens, mostrando a importância do relacionamento humano e preparando os profissionais para as mudanças do mercado.

    Quanto mais unidos estivermos, mais forte será o setor. Precisamos trabalhar juntos para defender nossos interesses e fortalecer as agências de viagens.

     

    Olhando para os próximos cinco anos, quais tendências devem moldar o futuro das agências de viagens e do turismo brasileiro?

    Geraldo Zaidan Rocha: Uma tendência muito forte é o crescimento do turismo religioso.

    Também vemos um aumento da participação do público acima dos 60 anos no mercado de viagens. É uma faixa etária que está viajando mais e buscando experiências diferenciadas.

    Ao mesmo tempo, o turismo continuará sendo um setor muito sensível aos acontecimentos globais. Basta uma guerra, uma crise econômica ou um problema sanitário para impactar diretamente o comportamento dos viajantes.

    Depois da pandemia tivemos uma demanda reprimida muito forte e as pessoas voltaram a viajar intensamente.

    Eu costumo dizer que gastar com viagem não é gasto. É investimento. É investimento em conhecimento, em experiências e em qualidade de vida.

     

    Depois de tantos anos dedicados ao turismo, qual foi o momento mais marcante da sua trajetória e o que ainda o motiva a continuar defendendo o setor?

    Geraldo Zaidan Rocha: Eu costumo brincar que nunca tive uma padaria, mas trabalho vendendo sonhos.

    As pessoas gostam de sonhar e gostam de realizar esses sonhos por meio das viagens.

    Tive a oportunidade de conhecer 74 países ao longo da minha vida. Ninguém tira essas experiências de mim. O que vivemos durante uma viagem fica para sempre.

    O que me motiva é justamente isso: ajudar outras pessoas a realizarem seus sonhos. Ver a felicidade de alguém embarcando para uma viagem, conhecendo um novo destino ou vivendo uma experiência especial não tem preço.

    Meu sonho continua sendo viajar e levar cada vez mais pessoas comigo nessa jornada.

     

    Crédito foto: Jornalista Pierpaolo Nota

  • Com 26 toneladas de carne, 45 mil pessoas e tentativa de recorde mundial, ASSAFEST busca projetar Paraná no cenário dos festivais gastronômicos

    Com 26 toneladas de carne, 45 mil pessoas e tentativa de recorde mundial, ASSAFEST busca projetar Paraná no cenário dos festivais gastronômicos

    Evento prevê investimento de R$ 2,45 milhões, espetáculo com 1.500 drones e mais de mil costelas assadas simultaneamente em Curitiba, numa grande celebração da cultura do churrasco

    Muito antes de o Paraná se tornar um dos principais polos do agronegócio brasileiro, os tropeiros já cruzavam os caminhos do Sul do país transportando mercadorias, conectando regiões e ajudando a construir a identidade cultural paranaense. É justamente essa história que inspira a segunda edição do ASSAFEST – Festival Nacional do Assado, que acontece no dia 15 de novembro, em Curitiba.

    Com expectativa de reunir cerca de 45 mil pessoas, o evento promete entrar para a história ao promover o maior churrasco do mundo em número de participantes, além de realizar uma tentativa de recorde mundial com o preparo simultâneo de mais de mil costelas assadas no tradicional sistema de fogo de chão. Ao todo, serão 26 toneladas de carne preparadas ao longo do festival.

    Mais do que um evento gastronômico, o ASSAFEST nasce como uma grande homenagem aos tropeiros do século XVIII e à cultura interiorana do Paraná e da região Sul. A proposta é transportar para o ambiente urbano tradições que ajudaram a moldar a identidade do estado, reunindo gastronomia, manifestações culturais, música, entretenimento e inovação tecnológica em um único espaço.

    Com investimento estimado em R$ 2,45 milhões, o festival foi aprovado pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet (PRONAC 261343), com publicação no Diário Oficial da União, consolidando-se como uma das maiores iniciativas culturais e gastronômicas em execução no Paraná e um dos mais relevantes festivais temáticos do país.

    Maior espetáculo de drones da América Latina

    Entre as atrações mais aguardadas está um espetáculo inédito com 1.500 drones sincronizados, produzido pela Fly Works. A apresentação será a maior já realizada na América Latina e promete transformar o céu de Curitiba em uma grande tela digital, com imagens, animações e efeitos visuais que contarão histórias ligadas à cultura tropeira e à tradição sulista.

    A combinação entre tecnologia e tradição é uma das apostas da organização para posicionar o ASSAFEST entre os eventos mais inovadores do calendário nacional.

    Gastronomia típica e churrasco sem limites

    O grande destaque do festival será o almoço inspirado na culinária dos tropeiros. Os visitantes poderão desfrutar de um cardápio preparado para valorizar sabores tradicionais do campo, composto por arroz carreteiro, feijão tropeiro, salada de cebola com tomate, maionese e costela assada por oito horas no fogo de chão.

    O sistema será de consumo livre: o público paga um valor único e pode comer à vontade durante o evento. Os ingressos para o almoço custam R$ 77 no lote antecipado e R$ 90 no dia do evento. Crianças de até 12 anos não pagam. As vendas acontecem pela plataforma Zig Tickets.

    Cultura paranaense em evidência

    Além da gastronomia, o ASSAFEST foi concebido para valorizar as raízes culturais do Paraná. A programação inclui apresentações folclóricas representando os diversos povos que contribuíram para a formação do estado, como poloneses, ucranianos, italianos e alemães, além de danças gaúchas, espetáculos teatrais, atrações circenses e shows musicais ao longo do dia.

    A proposta é transformar Curitiba em um grande palco de celebração da cultura sulista, aproximando moradores e turistas de tradições que permanecem vivas na identidade regional.

    Turismo, economia e projeção nacional

    A expectativa da organização é que o ASSAFEST contribua para movimentar o turismo, a hotelaria, o comércio e os serviços de Curitiba, atraindo visitantes de diversas regiões do Brasil.

    Ao unir tradição tropeira, gastronomia, entretenimento, tecnologia e cultura, o festival busca consolidar o Paraná no circuito dos grandes eventos temáticos nacionais e ampliar sua projeção como destino para experiências culturais e gastronômicas de grande porte.

    Com milhares de pessoas reunidas em torno de toneladas de carne assada simultaneamente e o maior show de drones da América Latina iluminando o céu da capital paranaense, o ASSAFEST pretende posicionar Curitiba como palco de uma das maiores celebrações da cultura do churrasco, da tradição tropeira e da gastronomia brasileira já realizadas no país.

    Foto Crédito: Divulgação